Desde a sua formação, os Arctic Monkeys nunca foram uma banda previsível e isso não é diferente neste disco. Eles evoluíram e, essencialmente, aventuraram-se por novos territórios, porém, AM não é uma mudança de direção mas sim uma afirmação de tudo o que fez da banda o que ela é hoje – letras profundas, riffs hipnotizantes e músicas que ficam no ouvido.

Os britânicos mudaram-se para Los Angeles e a transformação é notária. Alex Turner, vocalista e guitarrista, descreve AM com sendo o seu trabalho «mais original». Talvez se fique a dever à mistura de géneros musicais que à partida não se conglomeram, como hip-hop e rock dos anos 70. O produtor do terceiro álbum dos Arctic Monkeys, Josh Homme, da banda americana Queens of The Stone Age, surgiu como uma firme influência, tendo participado na faixa “Knee Socks”. AM, porém teve como produtor James Ford, coprodutor, Ross Orton e ainda Tchad Blake, que trabalhou com os Black Keys no seu álbum Brothers, outra influência bem presente neste álbum.

O tema principal volta a ser o romance e tudo o que isso implica: sexo, isolamento, frustração, álcool e drogas. AM combina a energia dos primeiros álbuns com músicas como “R U Mine?” («And I go crazy cause here isn’t where I wanna be/ And satisfaction feels like a distant memory/ And I can’t help myself/ All I wanna say is are you mine?») e “Arabella” («She’s made of outer space/ And her lips are like the galaxy’s edge/ And her kiss the color of a constellation falling into place»); e a vulnerabilidade com temas como “Mad Sounds” («Mad sounds in your ear/ they make you get up and dance»); “No. 1 Party Anthem” («It’s not like I’m falling in love/ I just want you to do me no good/ And you look like you could») e “I Wanna Be Yours” («I wanna be your vacuum cleaner/ Breathing in your dust/ I wanna be your Ford Cortina/ I wanna be your setting lotion/ Hold your hair in deep devotion/ At least as deep as the Pacific Ocean»).

Se a banda em si mostra um amadurecimento contínuo e notável, é sobre, Alex Turner, que incidem as maiores atenções. Longe vai o tempo em Turner era apenas um adolescente. Agora, os hoodies são substituídos por casacos de cabedal e fatos equiparando-se a um James Dean e Elvis Presley moderno. Para além desta drástica mudança de visual, o líder de Arctic Monkeys aprendeu a trabalhar melhor a sua voz mostrando a versatilidade dos seus falsettos.

Contudo, algo que tem sido criticado é a falta de espontaneidade sentida. Nota-se que este álbum foi mais trabalhado e pensado, ao contrário dos antigos trabalhos. Isto deve-se à natural evolução de rapazes para homens. Os ‘Macacos do Ártico’ tornaram-se mais requintados, sedutores e sofisticados, perdendo um pouco da fúria adolescente.

Esta mudança prova que sete anos depois de terem declarado não ser o que as pessoas diziam que eram, os Arctic Monkeys estavam certos. Destacam-se os singles que, curiosamente, são todos perguntas: “R U Mine?”; “Do I Wanna Know?” («Cause there’s this tune I found that makes me think of you somehow and I play it on repeat/ Until I fall asleep (…) That the nights were mainly made for saying things that you can’t say tomorrow day») e “Why’d You Only Call Me When You’re High?” («Now it’s three in the morning and I’m trying to change your mind/ Left you multiple missed calls until my message you reply»). Contudo, não só estas mas todas as faixas trazem algo de novo depois de cada “replay”.

Apesar de AM ser um dos seus melhores trabalhos, muito ainda se espera dos britânicos.

 A banda vai continuar com a tour ‘AM’ nos Estados Unidos da América e no Reino Unido em 2013. Em 2014, tal como seria de esperar, os Arctic Monkeys regressarão a Portugal marcando presença nos festivais de verão, desta vez, no Optimus Alive.