Para assinalar a comemoração dos 40 anos do 25 de abril, o ComUM procurou saber qual a opinião de estudantes da Universidade do Minho (UMinho) sobre o que é viver em democracia e qual a sua satisfação com o sistema democrático instituído no pós-25 de abril e com as conquistas da revolução de abril. 

José Baptista, 2º ano, Direito

“Estou parcialmente satisfeito. É um sistema que assegura uma boa estabilidade governativa, mas afasta os decisores políticos dos cidadãos, dando aso a poucos debates de ideias, ocorrendo mais divergências entre ideias semelhantes e fomenta um demasiado intervencionismo estatal na sociedade. Viver numa democracia é viver num regime onde as divergências políticas são livres de acontecer e em que diferentes ideais e opções para a comunidade se podem apresentar a sufrágio pelo povo, como neto da democracia é também o reconhecê-la como de todos e para todos e não como propriedade de alguns, implica ser de uma geração que olha para os que nos deram a democracia com um agradecimento, mas já não com a perspetiva de que isso lhes dá o direito de se advogarem mais democratas que os outros”.

Luciano Duarte, 3º ano, Geografia e Planeamento

“Apesar da nossa democracia ainda falhar em determinados aspetos, pois por vezes as questões económicas sobrepõem-se e quem tem mais dinheiro tem mais facilidade de acesso a bens e serviços que deveriam ser de todos, só posso dizer que estou satisfeito. Para quem não viveu noutro regime é complicado dizer o que é para mim viver em democracia, mas expressões como liberdade de expressão, abertura para o mundo e mais igualdade de direitos definem um pouco do que é viver em democracia. Tendo em conta o que me foi contado de como era a época antes do 25 de abril, só posso estar satisfeito por há 40 anos a maioria dos portugueses se ter unido e acabado com o regime. No entanto, as conquistas não devem ter ficado apenas por aquele dia, ainda hoje, diariamente, devemos lutar por uma democracia mais efetiva e justa, mas sempre conscientes dos limites da liberdade que temos”.

Sara Silva, 1º ano, Ciências da Comunicação

“Sinto-me satisfeita por viver numa democracia que, afinal de contas, é deveras melhor que o regime ditatorial anteriormente vigente. Todavia, a nossa democracia, apesar de relativamente recente, podia e devia ser melhor. Há factos lamentáveis a salientar. Há responsabilidades não só dos governos e os políticos mas também da sociedade civil. Exemplo disto, são os valores absurdos da abstenção. Num país democrático não é admissível que tantos eleitores se sintam tão indiferentes para com o voto. Nós, os cidadãos, devíamos acreditar que participar na democracia é um dos meios para marcarmos a nossa posição e, quem sabe, mudar até o rumo do país. Só com a democracia alcançamos uma liberdade mais plena”.

António Ferreira, 3ºano, Línguas e Literaturas Europeias

“Enquanto jovem universitário sinto-me satisfeito por poder exercer direitos que antes do 25 de abril eram exclusivos de uma minoria. Refiro-me especialmente aos direitos à saúde e a democratização do acesso ao ensino superior. Viver em democracia é vier num espaço em que a maioria vence mas onde qualquer opinião minoritária pode ser expressa e tida em conta por quem governa. Não acredito na materialização das conquistas de abril. Essas conquistas foram e são ‘abafadas’ pelas manipulações que imperam no sistema político vigente”.

Ângela Peixoto, 1º ano, Línguas e Literaturas Europeias

“Não me sinto totalmente satisfeita com o sistema político atual. Considero-o cheio de falhas e demasiado susceptível ao compadrio e à corrupção. Somos, de facto, governados por capitalistas indomáveis, que só pensam nos lucros e nunca no bem estar das pessoas. Considero que não existe total liberdade de expressão. Não posso dizer o que quero sob pena de ser processada por difamação. Acho que a revolução do 25 de abril não conseguiu mudar a sociedade, na medida em que esta ainda tem uma mente fechada, muito conservadora”.

Ana Daniela Pereira
Jorge Nicolau