Ciao Italia!
A julgar pela simpatia das pessoas, podia estar em Portugal. A julgar pelo ar barroco que respiro, sei que me candidatei a Erasmus para Itália. O número de pizzarias, gelatarias, igrejas, tabacarias e fontes por metro quadrado confirmam-no.
Uma semana depois de obter uma resposta oficial sobre o meu período de mobilidade, por parte da minha universidade de destino e sem estar certa de que tinha feito a melhor escolha, foi em Turim que aterrei. Sozinha, sem bilhete de volta, com 30 kg de bagagem para seis meses.
Depois da primeira noite, o Jet Leg deixou de ser o meu maior problema. À minha espera, muita burocracia para enfrentar, uma enorme dor de cabeça para arranjar um quarto e um plano de estudos razoáveis. Felizmente, Turim revelou-se uma cidade simpática e cheia de potencial. Ou não fosse um centro importante de turismo, cultura, televisão e cinema.
A língua, por outro lado, revelou-se traiçoeira. Para mim, que percebo mas não sei falar italiano, aprender está a ser mais difícil do que imaginei. Parecendo uma ajuda, a semelhança com a língua portuguesa é um obstáculo. Para mim, de perceber a falar italiano significa falar “portunhol”, com um bocado de francês pelo meio. E quando falado muito depressa, o italiano passa a soar a rsso, sendo que os italianos não falam outra língua além da sua. Posto isto, sobra-me a linguagem gestual. Ou tentar manter conversas com “ciao!”, “si” e “non”. O que não é tão difícil como poderá parecer.
Além da língua, uma nova realidade: aprendi a ter cruzamentos no lugar de rotundas e a ir a festas Erasmus, ao invés das normais festas académicas. Entre outras, para já ficam também estas lições: existem mais marcas de gelados além da Olá e da Nestlé; é normal que os homens sejam tão vaidosos como as mulheres; farinha, queijo e tomate são a base da cadeia alimentar; e a mais importante: o Google Maps e o Skype foram as melhores invenções de sempre. Sobre mim, aprendi que não sou paciente.
A realidade académica em Itália mostrou-se bastante diferente da que imaginava. Os alunos italianos são muito aplicados e os professores são bons. Já no que toca a pontualidade, e de acordo com as minhas expetativas, os italianos pautam-se pela sua falta.
Sobre viagens, Erasmus ofereceu-me oportunidades especiais para explorar o mundo a preços reduzidos. Já visitei várias localidades italianas e tenciono visitar mais.
Turismo à parte, sei agora o que é ter saudades. Mais do que a da família e dos amigos, a da comida portuguesa, da língua portuguesa, dos supermercados portugueses, dos preços portugueses. Tenho saudades do meu país.
Vanessa Bouça


