Várias empresas e entidades locais  juntaram-se, este ano letivo, à Universidade do Minho no apoio ao financiamento das despesas académicas dos estudantes com mais dificuldades económicas. As bolsas de estudo oferecidas aos estudantes de Engenharia Civil por empresas da região, o Fundo Social de Emergência da UMinho e as bolsas atribuídas pelo Lions Clube de Braga são alguns dos recursos implementados.

A iniciativa de algumas empresas e da sociedade civil na criação de um programa de bolsas para apoiar os estudantes do curso de Engenharia Civil da UMinho teve oito beneficiários, este ano letivo. Inicialmente, o programa destinava-se a apoiar os 15 candidatos com a melhor média de entrada no curso de Engenharia Civil nos próximos três anos letivos, mas acabou por beneficiar todos os colocados que, este ano, foram apenas oito.

Os estudantes beneficiados com este programa têm as propinas dos cinco anos do curso pagas por uma empresa da área de construção, enquanto obtiverem uma classificação entre os melhores alunos do curso. Após a conclusão do mestrado, os futuros engenheiros comprometem-se a aceitar uma oferta de estágio remunerado de um ano, pelo mínimo de 2.5 vezes o salário mínimo nacional, caso as empresas parceiras o decidam oferecer. O projeto oferece ainda a possibilidade de os alunos estudarem em universidades do Brasil, Colômbia e Peru, obtendo um diploma duplo.

A iniciativa visa combater a redução do número de candidatos ao curso que, desde 2008, se tem acentuado, na generalidade das universidades e institutos politécnicos do país. O Programa de Bolsas de Estudo em Engenharia Civil foi criado no âmbito de uma parceria entre a UMinho e empresas da área da Engenharia, Construção Civil e Obras Públicas, responsáveis por investimento total de 250 mil euros.

O presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), Carlos Videira, salienta a importância dos apoios das empresas e da sociedade civil: “Esta iniciativa ajuda a colmatar o sistema de ação social, que se tem tornado ineficaz e que não tem conseguido resolver e permitir que todos os estudantes com capacidades e aproveitamento possam continuar os seus estudos na Universidade do Minho”.

Preocupado com as respostas a nível local, o presidente da AAUM afirma que “a solidariedade das empresas e da sociedade civil ajuda a responder aos casos pontuais que são, normalmente, casos de grande urgência e emergência”. O programa de bolsas de estudo “não deve ser encarado como um complemento ou uma substituição, mas sim como uma forma de ajudar situações excecionais”, acrescenta.

Carlos Videira destaca, ainda, o papel da AAUM, na tentativa de melhorar o regulamento de atribuição de bolsas de estudo a nível nacional, de forma a tornar o processo “mais inclusivo” e mais enquadrado nas realidades locais.

Em fevereiro do ano passado, a UMinho criou o Fundo Social de Emergência como resposta aos casos de estudantes sem apoios económicos para prosseguir os estudos no Ensino Superior. No total foram apresentadas 60 candidaturas e atribuídos 39 apoios.

Segundo a diretora do Departamento de Apoio Social dos Serviços de Ação Social da UMinho (SASUM), Isabel Rêgo, são entregues “em média cerca de 70 pedidos de apoio” por ano letivo. No último ano, o número aumentou para 85 candidaturas e foram apoiados 51 alunos com aproveitamento académico e uma situação de maior carência económica, em simultâneo.

Em entrevista ao Correio do Minho, o reitor da academia minhota, António M. Cunha, garante uma resposta do Fundo Social de Emergência às necessidades dos estudantes: “Se tivermos um aluno com aproveitamento, e em que a dificuldade é apenas não conseguir pagar as propinas, e que isso seja evidenciado pelos rendimentos do seu agregado familiar, será alvo da ação social escolar”.

No próximo mês de dezembro abrem as candidaturas ao Fundo Social de Emergência para o presente ano letivo, não havendo previsões relativamente ao número de pedidos. A AAUM defende que o processo deveria ter começado no mês de outubro, dada a urgência de casos de estudantes em que “o direito à bolsa de estudo foi negado porque sabiam, através do regulamento, que não se enquadravam dentro dos apoios previstos pelo Estado”.

O Fundo Social de Emergência resulta da parceria entre os SASUM, a AAUM e o provedor do estudante, e tem uma verba anual de 120 mil euros, provenientes do orçamento das universidades, “aos quais a AAUM tem procurado juntar algumas verbas, através de iniciativas solidárias”, afirma Carlos Videira.

No último ano, a academia minhota concretizou uma nova parceria, como complemento dos apoios sociais existentes. O Lions Clube de Braga atribuiu 50 bolsas de estudo a estudantes carenciados da UMinho, no valor total de 50 mil euros, a incluir no Fundo Social de Emergência.

As bolsas são oferecidas aos alunos que estão fora dos mecanismos de apoio, mas que apresentam uma situação financeira desfavorável, que impede a continuação dos seus estudos. A iniciativa, que envolve um conjunto de patrocinadores e inclui parcerias com empresas da região, repete-se novamente este ano.

Para comemorar o 40º aniversário, o Lions Clube de Braga realizou, no dia 26 de outubro, em Braga, um jantar de gala que reverteu para a causa “Lions Mision”. As verbas angariadas no jantar contribuiram para a atribuição de mais 50 bolsas de estudo aos estudantes minhotos. O presidente da AAUM assegura que “a verba já está garantida”.

Carlos Videira salienta, ainda, a importância da divulgação dos vários mecanismos de apoio social que existem na UMinho: “Estes instrumentos devem ser divulgados juntos dos estudantes que ainda não os conhecem, mas também é importante que os Serviços de Ação Social tenham um papel mais proativo na identificação das necessidades”. Deve haver “um trabalho de sensibilização para que não haja estudantes a abandonar o Ensino Superior por dificuldades financeiras”, alerta o estudante.

Ana Cardoso
Andreia Cunha