Foi com um espírito de medo e uma ânsia enorme de conhecer uma nova cultura que embarquei nesta experiência. Sempre pensei que me sairia bem no inglês. Mas o primeiro impacto é assustador. A rapidez com que falam, aliada ao sotaque britânico, valeu-me vários episódios de mímica e muitas risadas. Passados dois meses e meio de Erasmus, posso dizer que uma das maiores aprendizagens foi sem dúvida a língua.

Foi apenas numa semana que eu e centenas de alunos internacionais aprendemos a pronunciar o nome da cidade que nos acolhia. Numa palestra de boas vindas, um dos oradores ensinou o truque para dizer esta palavra tão grande e tão difícil. Apesar de se escrever Loughborough a maneira ‘correta’ de a ler é Lufbra.

Contrariamente ao que esperava, o povo inglês é muito hospitaleiro e simpático. Na caixa do supermercado, é comum desejar-se continuação de um dia excelente e até se mostra interesse por saber como vamos cozinhar a carne que estamos a comprar. Sempre sorridentes e atenciosos. É assim que agora vejo os ingleses.

Ir de Erasmus não é de todo uma experiência fácil. Desde as burocracias até ao viver sozinha longe da família e amigos, são alguns dos desafios menos aliciantes que enfrentei. Contudo, a aprendizagem é enorme. Juntamente com a amiga de curso que foi comigo, aprendemos a cozinhar e a lavar roupa. Sempre juntas, desenrascamo-nos nas mais variadas situações.

No que toca à vida académica, há muito que se lhe diga. A ‘students union’ é o equivalente ao nosso Bar Académico. A diferença é situar-se no interior da universidade, sendo a noite académica todos os dias da semana, cada um com o seu tema. O meu dia preferido é a terça-feira, com o tema ‘Stupid Tuesday’. Posso dizer que o nome faz jus ao que realmente se vive na terça-feira à noite.

Cozinha tradicional Britânica. Zero. Sempre que pergunto por pratos tradicionais a resposta é sempre a mesma: ‘Comemos comida de todo o mundo’. Apenas consideram britânico o famoso ‘fish and chips’ em que, curiosamente, o peixe é bacalhau. Mas, diga-se de passagem, que nem chega aos calcanhares do verdadeiro.

Vou lembrar-me para sempre com carinho as pessoas que conheci. Em especial, um ‘tuguinha’ que encontramos num dos eventos para os estudantes internacionais. Foi muito engraçada a maneira como nos conhecemos. Todos os alunos tinham um papel colado na camisola com o nome e o país. E foi dessa forma que ele, surpreendido, nos aborda efusivamente dizendo que também ele é português. Encontrar portugueses é raro, mas quando acontece é um momento único. Parece que nos conhecíamos há muito tempo. Era como voltar a casa.

Um dos ingleses que mora comigo e com a minha colega portuguesa é um grande pilar para nós. Além de arranjar a internet quando esta falha, serve de nosso motorista em algumas ocasiões e ajuda-nos com as ‘manhas’ do inglês.

É difícil descrever a experiência Erasmus. Há tempo de rir e de chorar. Mas, principalmente há tempo de aprender e de dar valor ao nosso país. Portugal.

Cheers to all