Ir de Erasmus foi algo que sempre sonhei fazer. Hoje, este sonho é uma realidade. E tem sido uma aventura.

Nos primeiros dias, tudo é novidade. Voar para uma “cidade” que durante alguns meses será a nossa nova casa é ao mesmo tempo excitante e assustador. Mas Loughborough, em Inglaterra, não se pode considerar bem uma cidade. As ruas e casas são todas estranhamente parecidas. É mais uma vilazinha no meio de outras. Isso foi um certo desapontamento.

Em contrapartida, o campus da Universidade quase alcança o estatuto de vila. Pode viver-se sem ter de lá sair, quer para ir às compras, como para sair à noite. E isto, para quem é fã, torna-se o paraíso. Toda a semana é noite académica, com um diferente tema. O horário noturno é que é um pouco estranho. Os estudantes saem das aulas, jantam e às 20 horas já estão a sair de casa para regressar às duas da manhã. Por falar em horários, nunca é de mais pensar na pontualidade britânica. Nunca deixa de maravilhar. Chegar um minuto antes da aula? Blasfémia. Exigem-se uns cinco minutos.

Os britânicos são um povo caloroso e muito acolhedor, o que contrariou a minha ideia inicial. O que para nós é um casual “Olá, tudo bem?”, para o britânico é normal questionar sobre o seu dia, semana, o que fará ao jantar e como serão os próximos tempos, aos quais replicam sempre com um “briliant” ou “fab”. Talvez uma consequência de ter parado numa tão pequena localidade.

Quanto à gastronomia, não há nada como Portugal. Um bom bacalhau grelhado não se vê por estas terras. Inglaterra não tem nada que se pareça com gastronomia típica além do famoso “fish and chips”. Orgulham-se de afirmar que adaptaram vários pratos das cozinhas mundiais. À parte de família e amigos, a comida é o que deixa mais saudades.

Ir de Erasmus é um desafio. Tornei-me mais responsável, aprendi a cozinhar, a lavar a roupa ou a desafiar barreiras linguísticas (os ingleses adoram comer metade das palavras). Onde antes lia Loughborough, com todas as letras, agora leio apenas Lufbra. Além disso, ir a atividades, festas e eventos sem a mais pequena ideia para o que ia. Tive muitas surpresas, algumas agradáveis, surpreendentes, outras uma desilusão e até assustadoras. Mas com tudo aprendi. Agradeço à Cátia, uma amiga que me acompanhou durante toda esta experiência e que sem a qual alguns momentos teriam sido certamente um terror.

Inglaterra é um país bonito. Desde Londres, Leicester, Birmingham ou Nottingham. Mas é com orgulho que digo ser portuguesa, pois não há país mais bonito. Como diz a jornalista Paula Alves Silva: ”Nós que partimos dizemos Portugal com orgulho, porque quando dizemos Portugal sentimos os cheiros, surgem-nos na retina as gentes, as paisagens, a comida, o mar. E portanto dizer Portugal é sentir, é estar lá não estando. Dizemos Portugal e as pessoas percebem que há algo de especial. Dizemos Portugal e dificilmente sabem onde é Portugal, como se vive em Portugal, o que tem de característico Portugal, mas quando sabem gosta-lhes a ideia de Portugal.”

Inês Silva