O orçamento da Universidade do Minho, próximo dos 108 milhões de euros, vai sofrer um corte efetivo do finamento do Estado de 1.2%. O documento foi aprovado, esta segunda-feira, no Conselho Geral da academia minhota.O reitor da UMinho, António M. Cunha, reconheceu que este é um orçamento “de grande contenção”, o que exigirá “restrições de toda a ordem”.

A par da política de contenção de despesas, já em curso, e que afeta, sobretudo, a manutenção e construção de edifícios, o reitor avançou que a UMinho vai continuar a procurar receitas adicionais, capazes de fazer face aos sucessivos cortes impostos pelo Estado.

Durante a sessão do Conselho Geral, António M. Cunha frisou, mesmo, que “o financiamento externo é de enorme importância para a universidade”, de maneira que a UMinho deve apostar na captação de novos fundos de investimento.

Ainda assim, o reitor da academia minhota chamou a atenção para a necessidade de a sociedade civil reivindicar um maior nível de responsabilização na intervenção do Estado no financiamento às universidades portuguesas. A ideia foi corroborada por Lícino Lima, docente do Instituto de Educação e um dos 23 membros do Conselho Geral, que defendeu a necessidade de a comunidade social e política atuar no sentido de exigir que “o Estado cumpra as suas obrigações de financiamento da educação pública, mesmo em situações de crise”.

Refeições mais caras a partir de janeiro

Na mesma semana em que se conhecem as novas restrições do Orçamento da UMinho para o próximo ano, o Conselho de Ação Social da universidade aprovou um aumento de cinco cêntimos no preço das senhas da cantina. A partir de janeiro, as refeições terão um custo de 2.50 euros, o valor mais alto das cantinas universitárias portuguesas.

Os votos contra dos representantes dos estudantes, nomeadamente do presidente reeleito da Associação Académica da UMinho (AAUM), Carlos Videira, não foram suficientes para assegurar a manutenção do valor atual de 2.45 euros.

A medida já tinha sido discutida em outubro, acabando por não ser aprovada. Em causa estava o aumento do salário mínimo nacional para os 505 euros, valor que afeta o preço das refeições, de acordo com um despacho que prevê a fixação desse preço em 0.5% do valor da retribuição mínima mensal.

O eminente aumento do preço das refeições gerou um movimento de contestação por parte dos estudantes, conduzido pela AAUM, que considerou a alteração do valor “ilegítima” e que prometeu continuar a contestar a aprovação dessa alteração.

Apesar de o aumento não atingir o valor máximo e de apenas ser aplicado a partir de 2015, a AAUM continua a considerar que “esta é uma decisão errada, sobretudo quando o valor para o ano letivo 2014/2015, já havia sido definido no passado mês de julho, à semelhança de várias Instituições de Ensino Superior em Portugal”, de acordo com Carlos Videira.

Lamentando a decisão de aumento do preço das refeições, o presidente da AAUM apela a “uma maior sensibilidade social dos Serviços de Ação Social da UMinho no sentido de serem verdadeiramente fiéis à sua missão de proporcionar aos estudantes as melhores condições de frequência do ensino superior e de integração e vivência social e académica”.

O custo de uma refeição, nas cantinas da UMinho, estava fixado em 2.45 euros, desde outubro de 2011.