As paredes brancas que servem de paisagem primeira desmontam-se desde o primeiro passo e todos querem ver o que está para além delas.

Casa nortenha do século XVIII com uma história para contar. Não começa por “Era uma vez”, mas nem por isso deixa de ser interessante. É em Monção que fica esta Unidade Cultural da Universidade do Minho e a ela pertence. Da porta para dentro abre-se um mundo artístico com a promessa de proporcionar uma “viagem no tempo”.

Sem herdeiros,  Maria Teresa Cardeal Andrade Martins Salgueiro confiou a sua casa à academia com o propósito de servir como espaço cultural e museológico. Quem lá entrar sairá com muito para contar do muito que viu.

Poucos são aqueles que têm conhecimento da forma de viver de uma família burguesa do século XX. As porcelanas da Companhia das Índias, o mobiliário francês e as pinturas das Escolas Holandesa e Inglesa são alguns dos motivos de atração deste espaço que serve como porta de entrada para a arte e cultura.

vista Sala francesa

“A arte e a cultura são sempre uma mais-valia”

A Casa Museu de Monção não conhece barreiras no que respeita ao seu público. O seu grande objetivo é a satisfação daqueles que lá pisam. As paredes brancas que servem de paisagem primeira desmontam-se em exposições de pintura, escultura, azulejaria e cultura, em ciclos de conferências, workshops e concertos. Motivos não parecem faltar para aí dar um salto. Dos sete aos 77 anos, todos querem ver o que está para além dessas paredes.

“A arte e a cultura são sempre uma mais-valia”, diz Susana Castro, técnica superior do espaço. Entre os artistas que já expuseram na Casa Museu contam-se nomes como Ricardo de Campos, Puskas e José Rodrigues. A busca por exposições de grande qualidade é uma prioridade este espaço nortenho. “O público é muito exigente”, diz Sandra Castro, e é por esse princípio que se guia a estipulação da programação da Casa Museu de Monção.

Uma outra época

Sala francesa, tapete otomano de oração o século XVIII de seda vermelha, objetos vários da ourivesaria Leitão e baixela da Casa Mergulhão, mobília e adereços que fazem os olhos tropeçarem e caírem no imaginário. Um recheio que transporta os visitantes para a vida de uma família culta e rica da alta burguesia da segunda metade do século XX.

Faz-se destacar uma fonte em estilo “arte nova” no imenso jardim que rodeia esta casa. Jardim que antes foi terra de apego a videiras, gosto cultivado pelo pai de Dona Maria Teresa. Apesar das mudanças, permanece firme de portas abertas para quem quiser aí entrar.

“Um dia de cada vez”

É para público que trabalha diariamente e a ele se dedica desde 2002. Para a Casa Museu de Monção a forma como a sociedade “vive as manifestações artísticas” é parte fundamental para o futuro a arte e a cultura. Mas a chave para o sucesso também depende de cada qual, porque “cada um tem um sentimento próprio relativamente à arte e à cultura.”

Os pilares deste espaço baseiam-se no “desenvolvimento e patrocínio de atividades culturais e educativas, assim como a preservação e valorização do seu património.” Mantendo-se fiel a estes objetivos, a Casa Museu permanece no Alto Minho para fazer ver e contar que ali há história que se fez e faz “um dia de cada vez.”

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