O PSD-Madeira quer preços mais acessíveis nas tarifas aéreas para os jovens madeirenses que estudam no continente. Miguel Albuquerque, líder do grupo partidário, apresenta a medida como uma “questão de justiça social”. Com esta proposta, o social-democrata reivindica para a Madeira “o mesmo regime que o território nacional”.
São muitos os estudantes madeirenses que estudam no continente, por falta de alternativas na região. Estes são, também, os principais afetados pelos elevados preços das viagens áreas entre o continente e as ilhas.

Para amenizar as despesas, está em vigor uma medida que visa a atribuição de um subsídio de 60 euros a estudantes madeirenses. Mas, o PSD-Madeira defende que esta verba não é suficiente, principalmente, em épocas de grande procura, como no natal, na páscoa e no verão, em que os preços aumentam substancialmente.

O ComUM falou com Beatriz Oliveira, uma aluna da UMinho, natural de Porto Santo. A jovem madeirense conta que tenta comprar sempre a sua passagem “com muita antecedência”, para conseguir preços mais vantajosas. Mas, ainda assim, as viagens são “sempre caras”, lamenta. Para garantir lugar, entre a família, no natal, a jovem comprou bilhete em julho. Nessa altura, a viagem custou-lhe 300 euros. Mas, Beatriz explica que se tivesse comprado o bilhete em plena época natalícia, a viagem lhe teria ficado, pelo menos, 300 euros mais cara.

A despesa com as viagens tem impedido Beatriz de visitar a família. Desde o início do ano letivo, só voltou a casa uma vez. A próxima será quando as aulas terminarem, daqui a três meses.

Para já, a jovem estudante de Ciências da Comunicação aguarda o desfecho da proposta do PSD-Madeira com alguma descrença. «Queria muito acreditar nessa medida, mas são tantas promessas por cumprir que mais uma já me é indiferente», lamenta. Beatriz sugere, ainda, a necessidade de as transportadoras áreas criarem descontos para estudantes.

Em entrevista ao ComUM, o presidente da AAUM, Carlos Videira lembrou que já existem apoios dos governos regionais para os estudantes das ilhas que estudam no continente. A preocupação da associação académica tem passado pela garantia de que esses apoios “não são contabilizados como rendimento, para efeitos de atribuição de bolsas”. Videira assegura, ainda, que a AAUM tem insistido nessa luta junto do governo.

 

Ana Cardoso | Liliana Malainho