O adeus de um símbolo
Pli, Pli, Pli, Pli, Pli… Os adeptos gritam o nome de um dos seus. Um símbolo de um clube. Alguém que pôs fim a 21 anos de futsal. Indisciplinado, fervoroso, sempre a reclamar, podem acusá-lo de tudo, mas não podem dizer que não tem amor ao clube.
“É a última aparição de um jogador com muita mística, algo que falta muito nos clubes hoje em dia”, afirma César Cordeiro, adepto bracarense, que sentiu no pavilhão aquele que considera ter sido “o momento mais emotivo do jogo”.
Já na época passada, em entrevista ao ComUM, Pli considerava terminar a carreira: “É mais por questões familiares, porque já cansa: são muitos treinos, são muitas horas, são muitas viagens. Mas só no fim da época é que vou ver, não sei”.
Mas ficou mais uma época. A última de todas. António Peixoto – o nome do advogado que se veste de Pli quando joga -, não passou a carreira toda no Braga/AAUM. Jogou no Famalicense, no São Lazáro e na Fundação Jorge Antunes, mas é no seu clube que se sente bem.
“Pensei que estava preparado, mas não estou”, diz Pli, visivelmente emocionado e sem palavras para descrever os sentimentos num momento tão delicado. Paulo Tavares, treinador do Braga/AAUM, afirma que o guarda-redes “marcou sem dúvida o futsal”, sublinhando que “ele acrescentava muito ao grupo”.
O Sporting visitou Braga para aquele que poderia ou não ser o último jogo de Pli. O guarda-redes reclamou, gritou e puxou pelos adeptos. A 30 segundos do fim, Pli mostra o espírito de guerreiro: a bola sai pela linha de fundo e os jogadores estão todos do outro lado, é ele quem vai buscar o esférico a correr, para devolver a esperança aos adeptos e a ele próprio.
Pouco depois, quando faltavam apenas três segundos, eis que entra na quadra o símbolo, ‘lavado’ em lágrimas, para pisar pela última vez o piso daquele pavilhão como jogador. O árbitro apita, mas o jogo não termina. Ainda há abraços, há lágrimas, há palmas e há ovações dos adeptos.
“Não é por não jogar, é por não poder vestir mais esta camisola”, confessa. As palmas continuam a ecoar no pavilhão. Pli já deixou para trás os calções, as joelheiras e uma camisola de aquecimento. Os pedidos também são muitos, procura uma caneta para satisfazer mais uma pessoa que quer um autógrafo do adepto, advogado e guarda-redes.
Quando questionado sobre as suas as melhores memórias, a resposta é rápida: “Isto. Os meus adeptos”.
Fotogaleria: Ricardo Castro
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