Onze anos após a separação, os Libertines regressam com um reportório de novos temas que dão um novo ar ao estilo da banda, sem nunca esquecer as origens.

A atribulada banda de Peter Doherty e Carl Barât nasceu em 1997, quando os dois então jovens se conheceram e rapidamente iniciaram o processo de criação de músicas. Apenas em 2002 lançaram o primeiro álbum, “Up The Bracket”, que recebeu críticas positivas, tornando-se num dos mais importantes da década. Dois anos depois, um novo clima pairava sobre a banda. O abuso do consumo de drogas por parte de Doherty levou à produção de um álbum mais pesado, com músicas onde os dois vocalistas se “atacavam” mutuamente. Tais desentendimentos levaram ao fim da banda nesse mesmo ano.

O regresso em 2015 foi uma surpresa para todos os fãs e, inclusive, para a própria banda (“With all the battering is taken/ I’m surprised it’s still ticking”). Depois de resolvidos os problemas internos do quarteto, composto ainda pelo baterista Gary Powell e pelo baixista John Hassall, iniciou-se a gravação de “Anthems For Doomed Youth”, que continua a conjugar o estilo garage/punk rock a que a banda sempre nos habituou.

O terceiro álbum, que retira o seu nome de um poema de Wilfred Owen, leva-nos de volta à sonoridade dos antigos trabalhos logo nas duas primeiras músicas, “Barbarians” e “Gunga Din”, porém com uma maior qualidade e coesão, fruto da parceria com um novo produtor, Jake Gosling.

A canção que dá nome ao disco é uma balada folk rock, onde Barât conta a história da formação da banda (“Yes we thought that they were brothers/ Then they half murdered each other/ Then they did a karaoke turn/ And murderer our best song”). Pelo meio, encontramos músicas já conhecidas que sofreram um (re)arranjo, como é o caso de “You’re My Waterloo”, outra balada, acompanhada pelo som lento e melancólico do piano.

“Heart of the Matter” merece um destaque especial, uma vez que é, provavelmente, a melhor música do álbum, com um cheirinho a The Clash, incluindo riffs simples mas extremamente melódicos, tão característicos da banda. Passando pela “The Milkman’s Horse”, faixa tipicamente pop rock, e pelas influências visíveis dos Beatles em “Glasgow Coma Scale Blues”, o álbum termina com mais uma balada, muito comuns neste disco, “Dead For Love”.

Se por um lado, o álbum peca pela ausência de inovação, por outro lado, traz-nos de volta os Libertines com uma melhor qualidade instrumental e de finalização. A verdade é que a banda britânica regressou com uma maior maturidade e é notório o ambiente renovado entre os quatro elementos, do que resulta uma dúzia de novos temas que não perdem a magia a que estes nos habituaram.