Mia Couto lançou, recentemente, “Mulheres de Cinza”. Explorando os acontecimentos dos últimos anos do Estado de Gaza, este livro insere-se na trilogia “As Areias do Imperador”, sendo o seu primeiro volume.
A história conta com o africano Ngungunyane, enquanto protagonista, conhecido pelos portugueses como Gungunhana, que se apresenta como o último chefe do segundo maior império, em África. O desenvolvimento do trama dá a conhecer que o mítico imperador foi derrotado, em 1895, pelas forças portuguesas conduzidas por Mouzinho de Albuquerque, tendo posteriormente sido deportado para o arquipélago dos Açores, onde veio a morrer em 1906.
Numa entrevista ao Público, revela: “Não me interessa assim tanto contar a história de Ngungunyane, ela já foi contada de tantas maneiras. O verdadeiro personagem desta história é o tempo, num sentido plural, porque os passados são construções, são escritos e reescritos.”
Natural da Beira, Mia Couto é responsável por uma extensa e diversificada obra literária caraterizada por expor pequenas histórias humanas, onde o protagonismo está virado para indivíduos oprimidos, divididos e vulneráveis, retratando um período histórico. Neste sentido, o escritor desde do seu primeiro romance, “Terra Sonâmbula”, alia o conteúdo histórico com o realismo mágico.
Nas bancas desde o passado dia 15 de outubro, “Mulheres de Cinza” é o primeiro livro que abre a trilogia denominada “As Areias do Imperador”, estando programada a edição de mais dois volumes até 2017.


