De negro e vermelho se cobre. E tem pouca luz. Quem pelas redondezas passa, saberá que o rock conheceu nova casa.

Colados à parede, Beatles e Roling Stones fazem as ordens da casa. Os primeiros cumprimentam com Hey Jude. Os segundos prometem com Night time is the right time. Atraídos pelo som, são muitos os que descem as escadas daquela entrada estreita. Da porta para dentro, ouve-se apenas uma voz. A voz do rock.

E já lá vão cinco anos. Nasceu com o nome Rock Star, entre outros dois estabelecimentos, e por aí continua. O proprietário, Alberto Mateus, atrás do balcão observa quem fica. Vai passando a música da sua infância e adolescência à qual junta, de vez em quando, boa música do agora.

O rockbar de Braga

O próprio nome indica. Não se podia ouvir outra coisa. Às 21h00 lá começa a música gravada a penetrar os ouvidos de quem passa na Rua Nova de Santa Cruz. Pearl Jam, Guns N’ Roses, Joy Divison e Led Zeppelin fazem parte do menu. Aí só entra quem é de bom ouvido.

Lá atrás, no palco, a frase do escritor ucraniano Leonid Pervomaisky chama a atenção: “Pouco importam as notas na música, o que conta são as sensações produzidas por ela”. E são as sensações do público que marcam cada concerto do Rock Star. Atento a quem toca, o público vai assobiando de cerveja na mão. Os rostos, pintados pela luz vermelha, vão mostrando os sorrisos de quem sente o rock como seu.

Jams das terças

O som das guitarras, dos baixos e da bateria vai abafando as conversas paralelas daqueles que estão na sala. A primeira nota pede silêncio e avisa que ali se vai tocar rock.

Com um ano, as jam sessions do rockbar mais rock de Braga já fazem história. A ideia foi do guitarrista Tiago Calçada que transformou o pequeno quadrado de madeira num palco onde desconhecidos se juntam, produzindo verdadeiras melodias. “Mas são poucos os que se aventuram a cantar”, conta Mateus.

E o que restam destes momentos? As cordas que se partem a meio da música, os discursos políticos de um baterista com jeito para stand up ou a rapariga que canta Rolling Stones ao som de metal. Estas são algumas das histórias que fabricam as jams de todas as terças-feiras.

“A butique, o teu covil, o teu palco!”

Expressões não faltam para descrever Rock Star. Tiago criou uma: “Rockbar de Braga, a butique, o teu covil, o teu palco!”. Sem formalismos, o rockbar de Braga vai continuando de portas abertas. A decoração precisa de ser renovada, diz Mateus. Mas o rock, esse continuará ali e de lá não sairá.

As luzes apagam-se às 02h00. O rock volta no dia seguinte.

 

Texto: Judite Rodrigues

Fotografia: Carolina Gomes