Entramos em 2016 com as baterias recarregadas e com uma força renovada para acreditar. Acreditar no futuro, nas metas que desejamos ver alcançadas, nos sorrisos que decoram os nossos dias e na vida que continua a existir em nós.

“Espero que este novo ano nos traga muito sucesso, que seja o ano”, ouve-se por aí entre aqueles que veem no novo ano a oportunidade de recomeçar. São 366 novas oportunidades que podem, de facto, mudar a nossa vida. Mas será o ano o motor de mudança? Será um número capaz de definir o quão felizes seremos a partir de hoje?

Num mundo em que somos, constantemente, bombardeados por notícias que destacam a  desgraça dos outros, a indiferença, o egoísmo e a opressão, querer mudar e fazer alguma coisa por isso é não deixar que o novo ano chegue enquanto nos refastelamos no sofá e permanecemos cidadãos passivos.

No final de Junho, a nova lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos da América era institucionalizada, ao mesmo tempo que as fotos de perfil do Facebook, com filtros a lembrar a bandeira do arco-iris, alertavam para a necessidade de uma mudança de mentalidades. Mas será que bastou um simples update daquilo que é a nossa vida no mundo online?

Em Setembro, a vaga de refugiados era notícia nos órgãos de comunicação social. As imagens marcavam o desespero daqueles que fugiam da morte à procura da estabilidade e da paz tanto desejada. Nas redes sociais, os indivíduos partilhavam fotografias e testemunhos de sobreviventes, a fim de chamar a atenção para esta onda de refugiados. No entanto, quando confrontados com a ideia de lhes abrir as portas das “casas”, os ‘muros’ começaram a ser criados – estávamos perante uma solidariedade camuflada.

Estes acontecimentos e outros, bons ou maus, mais relevantes ou não, marcaram a nossa vida em 2015. Às vezes não marcaram o suficiente para se fazer algo por isso, mas há muita coisa numa dimensão mais pequena que pode servir de exemplo e que pode ser a base da mudança.

Às vezes está bem perto de nós e só temos que estender uma mão. Às vezes depende só da forma como falamos ou como interagimos uns com os outros. Às vezes é apenas a expressão do  corpo que define a distância a que queremos estar do outro.

Na tarde de 31 de dezembro, horas antes de receber o novo ano, alguém me disse isto: “Não é o ano que tem de mudar e trazer coisas boas para a tua vida…És tu que tens de trazer coisas boas para ela e ser a mudança que tanto queres!”.

E sabem uma coisa? Fez todo o sentido.