Fernando Faria Correia, investigador da Escola de Ciências da Saúde (ECS) da Universidade do Minho, foi considerado um dos melhores oftalmologistas jovens do mundo pela revista britânica “The Ophthalmologist”. O português alcança, aos 32 anos, o feito de ser o único médico da Península Ibérica a constar na lista “Top 40 under 40”.
O júri do concurso não poupou nos elogios ao investigador, referindo que este “é um oftalmologista talentoso que tem publicado artigos importantes na área do ceratocone, catarata e cirurgia refrativa” e garantindo que “será um futuro líder e continuará certamente a contribuir para a evolução do domínio”. Fernando Faria Correia não nega que a nomeação ‘muito o honrou’ e que lhe ‘dá motivação acrescida para continuar o seu trabalho científico’, pretendendo que este o acompanhe durante toda a sua carreira profissional.
Quando questionado sobre o “segredo” do seu sucesso, a resposta é simples: trabalho árduo. O investigador considera que a “motivação fundamental para a formação contínua de um médico” pode ser encontrada na integração de uma equipa “com objetivos bem estabelecidos” e que “é necessário ir para fora muito jovem e passar bastante tempo longe da família e dos amigos, além de ocupar alguns fins-de-semana com análises estatísticas e artigos científicos”, um ‘vício que acaba por não se conseguir largar’.
A sua carreira teve início na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), onde se licenciou há quase nove anos. Depois do internato de formação específica em Oftalmologia no Centro Hospitalar de São João, no Porto, entre 2009 e 2012, Fernando Faria Correia rumou ao Rio de Janeiro, onde realizou fellowship (uma subespecialização) em córnea e cirurgia refrativa no Instituto de Olhos Renato Ambrósio e VisareRio. Mais tarde, o investigador integrou um novo fellowship na Medical University of South Carolina na Carolina do Sul (EUA), concluindo a sua especialização.
A trabalhar no Serviço de Oftalmologia do Hospital de Braga desde 2014, um projeto que descreveu, em declarações ao ComUM, como “interessante e motivante em termos profissionais”, o médico viu na parceria que este mantém com a Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho uma “porta para desenvolver a tese de doutoramento”. O investigador realça que a UMinho “ainda é muito nova mas tem muito potencial” e elogia o “interesse na área da investigação” do grupo de trabalho onde está inserido.
Sobre o estado do país na formação de profissionais de saúde, Fernando Correia aponta o não estabelecimento do conceito de subespecialização (fellowship) em Portugal, muito presente em países como a Espanha, Itália ou Estados Unidos, como uma das principais falhas. “Não se pode confundir estágio temporário com fellowship, uma vez que o segundo exige que o médico participe em atividade clínica, cirúrgica e investigacional, resultando uma melhor preparação teórica e prática numa área muito específica dentro de uma especialidade”, justiça o investigador.
O investigador considera também a falta de investimento na área da saúde como entrave para que os médicos portugueses possam rivalizar com os melhores do mundo, uma vez que só com investimento “é possível conseguir acompanhar a inovação na Medicina”.


