Ricardo de Sá, conhecido primeiramente por interpretar a personagem Leo na série juvenil Morangos com Açúcar, lança agora o novo álbum musical, "Histórias". Com apenas 27 anos de idade, revela ao ComUM as mudanças que têm ocorrido na sua vida. Entre a gravação da novela "Única Mulher" e os ensaios da banda, consegue ainda conciliar a sua participação na peça "Plaza Suite".

ComUM: Estreou-se na televisão na série T2 para 3 e depois participou nos Morangos com Açúcar. Quais as maiores mudanças que começaram a surgir na sua vida?

Ricardo de Sá: Foram mudanças normais para quem começa a aparecer na televisão todos os dias. A primeira mudança foi quando eu entrei, em que andava de metro, não tinha carro para o trabalho e, de repente, vi a minha cara em tudo quanto era outdoors. A minha vida tinha mudado de um dia para o outro. Mas foi bom, tive a sorte de concretizar um sonho e o objetivo para o qual tinha estudado durante muitos anos.

“Tive a sorte de concretizar um sonho e o objetivo para o qual tinha estudado durante muitos anos”.

ComUM: Na série juvenil, fez o papel de Leonardo e teve bastante sucesso. Ainda o continuam a associar ao Leo?

Ricardo de Sá: Sim, graças a Deus associam-me a mesmo quase todas as personagens que fiz. Com o Leo ganhei um prémio e o mais engraçado é que depois do Leo, fiz o Tomé e estava de cabelo rapado e de óculos. As pessoas na rua achavam que era outro ator. E isso é bom.

ComUM: Qual o momento mais marcante do seu percurso pela TV?

Ricardo de Sá: Ainda está para vir, não sei. Todos os dias são bons, não tenho um único momento.

ComUM: Já faz teatro há muitos anos, tem feito várias telenovelas e até cinema já fez. Tem alguma preferência por alguma destas áreas?

Ricardo de Sá: Eu gosto é de representar. No estar no palco ou estar à frente da câmara para televisão ou à frente da câmara para cinema, o que muda é o modo como as coisas funcionam à minha volta, à volta dos atores. Para o ator em si, o que lhe compete é representar bem, e é isso que eu gosto de fazer e é com isso que eu me preocupo, seja em frente ao público, seja em frente a uma câmara de televisão. São câmaras diferentes das de cinema e mesmo em cinema tem de se repetir mais vezes o mesmo take. Logo, é muito mais à base de técnica para o ator. Mas não consigo escolher uma só. O que eu gosto é de fazer tudo ao mesmo tempo, como é o caso. Estou a fazer a novela, estou a fazer teatro e um filme e ainda tenho tempo para os ensaios com a banda na preparação dos concertos.

ComUM: Como concilia as três áreas e gere o seu tempo?

Ricardo de Sá: Ainda não sou omnipresente, mas é possível, sim. Tenho pessoas que me ajudam. Tenho agente, tenho manager que me ajudam a fazer a agenda e eu só sei que um dia vou estar ali, outro dia vou estar acolá e tenho tempo para descansar e ainda tenho tempo para o ginásio. Tenho tempo para tudo.

ComUM: Relativamente à peça de teatro “Plaza Suite”, como está a correr o desafio?

Ricardo de Sá: Até agora, já viram perto de 50 mil pessoas. Esta peça de teatro esteve quatro meses no Tivoli, em Lisboa, uma grande e importante sala. Na segunda-feira passada gravei lá o meu novo videoclip, que vai sair em março e foi bom.

De resto, está a correr muito bem. Nunca pensei um dia estar a fazer uma peça de teatro com o Diogo Infante ou com a Alexandra Lencastre. Quando era mais novo, vinha ao teatro e via o Diogo e a Alexandra e queria ser ator. Agora, passados oito anos, estou aqui com eles e ouvir da parte deles que sou tão bom ator como eles é muito bom.

ComUM: Como surgiu a vertente da música?

Ricardo de Sá: Eu já cantava no chuveiro quando era mais novo e sempre gostei de música. Depois, surgiu com os Morangos com Açúcar, pelo facto de ser uma série musical e por termos estado a cantar ao vivo nos coliseus. Mesmo o Leo, o personagem desta série, era baterista e eu aprendi a tocar bateria. Já gostava de cantar e depois da bateria passei para a guitarra, para o piano. De repente, estava a fazer um álbum – o álbum Histórias –, que vai estar à venda já no próximo mês em todas as lojas. São 16 temas todos escritos e compostos por mim. Foi tudo muito natural. Quando dei por mim, já estava a fazer música.

ComUM: Depois do single A Viagem, em que se inspirou para escrever estas músicas?

Ricardo de Sá: Em histórias da minha vida e por isso é que o álbum se chama Histórias. Tenho músicas dedicadas à minha mãe, a ex-namoradas minhas, à minha avó, aos meus amigos, aos meus fãs. Uma pessoa inspira-se sempre em alguma coisa. Tenho uma música dedicada também a um cão.

ComUM: O amor é um dos temas do seu álbum. É fácil para si abordar este tema?

Ricardo de Sá: O mais difícil é fazer uma boa música de amor. Quando se faz bem uma música sobre o amor, acho que toca a toda a gente e a minha intenção é fazer música bem feita. O amor é um tema transversal e universal na música, porque chega a todas as pessoas. Podia fazer um tema sobre outras coisas, sobre a crise económica, a União Europeia, que também iria chegar a muita gente mas, lá está, não é um tema tão bonito. Quando faço uma música a pensar numa pessoa, numa rapariga, sai naturalmente. Há algumas músicas do álbum que já não me dizem tanto, mas encaro-as com profissionalismo. Qualquer cantor, qualquer artista tem sempre isso. Posso confessar que o álbum vai sair agora, mas já fiz as músicas há cerca de três anos atrás e tem sido um processo de muito trabalho. Já estou a pensar no próximo e já estou a pensar em músicas novas. Os artistas nunca estão contentes com o que fazem (risos), mas é isso que faz com que eles trabalhem mais e façam mais coisas.

Beatriz Pinto

Maria João Costa