SC Braga e Vitória SC empataram a três bolas, no estádio Municipal de Braga, num jogo muito emotivo, com períodos de domínio alternados.

Podíamos temer um Braga desgastado pela eliminatória europeia, um Vitória “em baixa”, uma noite inóspita ou uma dinâmica afetada pelos dez pontos que separam as duas equipas.

Mas os protagonistas nunca duvidaram. Não foram de meias palavras na antevisão da partida e saíram-se como soundbites dignos de uma batalha épica ou, então, de uma ambiciosa produção hollywoodesca. “Não vão haver desculpas”, garantiu Paulo Fonseca, já depois do capitão vitoriano Cafú ter assumido as suas ambições para este jogo: “É para ganhar!”.

Não nos iludiram. Na verdade, bastaram dois pares de minutos com a bola a rolar para percebermos que não existiam condicionantes que pudessem frenar o ambiente à volta de um dos dérbies mais emocionantes à escala nacional. O milhares de espetadores que se deslocaram à Pedreira assistiram a um belíssimo espetáculo, que, certamente, vai ser recordado como um dos melhores do ano.

O SC Braga começou melhor, e mostrou ser a equipa mais organizada dentro das quatro linhas. Aos 20 minutos, já vencia por 2-0, fruto de dois lances, em que ficou bem vincada a qualidade técnica dos arsenalistas. Josué, contratado este inverno, já começou a fazer as delícias dos adeptos e – mais até – dos seus companheiros. Ofereceu-lhes duas bolas de golo, que foram devidamente correspondidas. Primeiro, aos seis minutos, por Pedro Santos e, depois, aos 19, por Rui Fonte.

Na segunda metade da etapa elementar, a estória foi bem diferente. Feridos no orgulho, os vimaranenses pressionaram e obrigaram o rival a recuar.

Otávio respondeu aos gritos de Sérgio Conceição e emprestou ao futebol do Vitória a fantasia que lhe faltava. Tal como Josué, contribuiu com duas assistências, a primeira das quais simplesmente sublime. À passagem da meia hora, driblou quatro jogadores contrários, antes de servir Licá, que reduziu o marcador. Ainda antes do intervalo, em mais um momento de magia, cruzou para o cabeceamento não menos espetacular de Dourado (2-2).

No regresso das cabines, poucos esperavam uma segunda parte ao nível da primeira. Mas, os primeiros sinais indicavam que nenhuma das formações se iria retrair. Assim, o aparecimento de mais golos era apenas uma questão de tempo.

Hassan, aos 56 minutos, confirmou esse prenúncio, ao aproveitar uma carambola na área vitoriana para fazer o 3-2.

Contudo, desta vez, a vantagem dos bracarenses demorou apenas alguns minutos a ser anulada. Otávio – quem mais – “cavou” a expulsão de André Pinto e um penalty, que o próprio tratou de converter.

A jogar em desvantagem numérica, Paulo Fonseca viu-se obrigado a reestruturar o seu esquema e modelo de jogo. Não impediu o maior domínio dos vimaranenses, mas conseguiu conservar o empate, que, à medida que entramos na reta final do campeonato, serve as pretensões da sua equipa.

Este resultado mantém os arsenalistas na quarta posição da Liga NOS, com uma margem de erro de oito pontos face ao Arouca, formação que roubou o último lugar de acesso às provas europeias ao Vitória, que ocupa agora o sexto posto da tabela classificativa.