Já deve ter ouvido falar no Pedro Cunha, baterista da banda portuguesa “Santos e Pecadores”. Mas o nome Ah Nuc diz-lhe alguma coisa? É o mesmo músico, mas a nova designação marca um recomeço. “Satelite on” é o álbum pop/rock de estreia e já está disponível nas plataformas digitais. O ComUM esteve à conversa com o compositor.
ComUM: Conhecemos o Pedro Cunha como baterista dos Santos & Pecadores. Em 2003 estreou-se como vocalista no projeto Spin. Mas quem é o Ah Nuc?
Ah Nuc: Desde o início que este projeto era algo que sentia como um recomeço, um regresso em frente e achava que o nome do mesmo deveria refleti-lo. Ah Nuc não é mais do que Cunha ao contrário e expressa isso mesmo: atingir um ponto e recomeçar. É o projeto onde posso expressar o eu como um todo, uma vez que só conto comigo para a composição dos temas. Nos outros projetos (Santos & Pecadores e Spin), as composições eram partilhadas.
ComUM: O que podemos esperar deste Satelite On?
Ah Nuc: É um conjunto de canções feitas ao longo do tempo e que foram guardadas numa espécie de “satélite virtual” que orbitava em redor do meu restante trabalho com os Santos & Pecadores e ao qual resolvi finalmente ligar o botão “ON”. Reflete essencialmente histórias e emoções, algumas autobiográficas, outras do meu imaginário, e que se situa dentro do espectro pop/rock atual, com “pinceladas” na década de 80 e 90.
ComUM: Kulpado (M.A.C) e Célia Ramos (Candymoon e Red Rose Motel) foram os seus convidados para este álbum. O que representou esta colaboração?
Ah Nuc: Sou sincero, só conheci os seus trabalhos enquanto gravava o disco e gostei bastante do que ouvi, fiquei fã! Caíram que nem luva nos temas (Perdido com Kulpado e Sós na multidão com Célia Ramos) que imaginei trabalhar com eles. Era esse o meu objetivo: que os convidados viessem somar ao resultado final. Não poderia ter sido melhor! Fiquei muito contente com o resultado final. Espero que o público o sinta da mesma forma.
ComUM: Com Spin, tivemos um álbum editado em inglês – o “Scanning System for Problems“. Agora Ah Nuc volta à língua materna. Porquê?
Ah Nuc: O Scanning Systems for Problems foi um projeto independente, era algo que necessitava de fazer, experimentar novas sonoridades, tocar com outros músicos, assumir um novo papel (neste caso, como vocalista). Os temas de SPIN precisavam de se distanciar daquilo que fazia em Santos e Pecadores e a língua seria também uma forma de manter essa distância. Por isso, quando escrevi optei pelo inglês.
Escrever em português era mais um desafio nesta nova etapa, mas fazia todo o sentido na minha cabeça. Fui amadurecendo as letras e a forma como escrevia e hoje em dia é algo que me dá muito prazer.
ComUM: O “Satelite On” foi influenciado pelos projetos anteriores que integrou?
Ah Nuc: É muito difícil catalogar tudo aquilo que me influenciou ao longo dos anos. Sou fã de uma boa canção, venha ela de onde vier. Vou absorvendo aquilo que oiço e inconscientemente vou filtrando informação musical que vai transparecendo nos meus temas. É esse o caso de Satelite On. Obviamente que não posso ignorar os anteriores projetos que claramente deixaram alguma marca em mim. Talvez existam reflexões desses trabalhos aqui no Satelite On, não propositadamente.
“Sou fã de uma boa canção, venha ela de onde vier.”
ComUM: Em relação ao palco: há diferenças entre o que se sente enquanto se está a tocar bateria e enquanto se está a cantar?
Ah Nuc: Digamos que são formas diferentes de expressão, mas com o mesmo intuito – comunicar e transmitir sensações. As duas exigem, emocional e fisicamente, muito de nós, mas conseguimos em ambas atingir a satisfação do propósito de ser músico.
ComUM: Há algum compositor/banda que o inspira?
Ah Nuc: Já tive alguns músicos que me influenciaram mais, logo no início. Hoje em dia a inspiração vem um pouco de todo o lado. Estou mais ligado ao estilo pop/rock, mas não me fico só por aí. Acho que a música é universal e transversal como forma de arte e não pode nem deve ter limites de expressão ou de inspiração.
ComUM: Tem projetos para o futuro?
Ah Nuc: As minhas expectativas passam essencialmente, e a curto prazo, por conseguir levar este disco o mais longe possível, explorá-lo intensamente, pois acho que tem muito para mostrar. Depois a médio, longo prazo, dar luz a todas as outras canções que ficaram de fora deste álbum, assim como continuar a escrever coisas novas e mais tarde poder partilhá-las com o público. “Satelite On” é o meu primeiro degrau na carreira a solo, que espero tenha uma longa e ascendente escadaria.


