Em Março, os Primal Scream lançaram o seu 11.º álbum, "Chaosmosis". Esta é mais uma reinvenção dos escoceses, que já levam uma carreira com mais de 30 anos.

O nome prometia caos, e caos tivemos. Mas poderia ser um caos consistente, uma única e programada confusão. “Chaosmosis” é estranho, é mais uma reinvenção dos já lendários Primal Scream, e apesar de toda a mistura aleatória de sons, consegue, ainda assim, ser bastante apreciável.

Temos uma balada, seguida de synt-pop, seguido de dance. Não há fio condutor durante o álbum, e as transições entre músicas são bruscas e inesperadas. Por outro lado, temos de tirar o chapéu aos escoceses: com uma carreira que já leva mais de 30 anos, continuam a criar álbuns bem recentes, convidando músicos jovens para algumas músicas – neste álbum, temos a presença de Sky Ferreira e Haim. Os Primal Scream não são velhos, nem tocam como velhos. Não dependem dos seus singles dos anos 80 e 90. Muito pelo contrário, são uma prova de rejuvenescência.

Fonte: diymag.com

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O álbum abre com uma nota de nostalgia, com “Trippin’ On Your Love”. Os acordes de piano e os coros bem harmonizados são uma notória reminiscência do álbum “Screamadelica”; no entanto, “Screamadelica” foi revolucionário, pese embora algumas críticas, enquanto que a primeira música deste novo álbum vai repetindo a mesma ideia, as mesmas vozes ligeiras, e a mesma melodia, ao longo de três minutos.

O que segue são estranhas mudanças de ritmo, mas um ascendente em qualidade lírica: com “(Feeling Like A) Demon Again”, temos uma abordagem de música dance bem vintage – o sintetizador e a bateria electrónica quase que nos remete para um arcade game dos anos 90; depois, o ritmo baixa imenso com “I Can Change”, uma balada com rodeada de acordes de teclado digital, e uma letra simples, mas clara.

A melhor música deste álbum é notoriamente “Where The Light Gets In”. Há uma onda bem mais moderna, os acordes são bem trabalhados, e as vozes do veterano Bobby Gillespie e da jovem Sky Ferreira conjugam-se muito bem – toda a música é um hino a toda a boa música que os Primal Scream criaram durante 30 anos, e certamente figurará num futuro álbum de best of’s da banda.

A partir daqui, o álbum sofre uma queda abrupta em qualidade, sem grandes motivos para se ouvir até ao fim “Chaosmosis”. “Carnival Of Fools” é uma brincadeira de sons básicos, sem grande energia, tanto na letra como na melodia; “Golden Rope” traz um ritmo mais mexido, e podemos encontrar uma influência rock dos seus álbuns mais antigos, mas a incoerência em todo o álbum vem ao de cima com a última música. “Autumn in Paradise” desfaz com a identidade da banda, mas de uma má maneira: sem grande energia, os álbuns da música são fáceis, e os efeitos não acrescentam nem melhoram a composição.

Chaosmosis” é novo, é mais uma reinvenção dos veteranos, mas nada velhos, Primal Scream. Apesar dos seus vários defeitos, o álbum é, ainda assim, audível e divertido. Mas para quem procura pela primeira vez a música da banda de Gillespie, este não é, certamente, o melhor cartão-de-visita.