A investigadora do Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho (CIECUM), Beatriz Pereira, foi uma das principais referências na análise de um estudo da OMS sobre a relação entre os jovens e a escola durante a adolescência. O estudo publicado a 15 de março mencionou o trabalho da professora de Ciências da Educação nomeadamente sobre o fenómeno do bullying.

Habituada aos jornais e estações de televisão ao longo dos seus “muitos anos” de carreira, Beatriz Pereira desvaloriza o reconhecimento que lhe é dado pela referência do seu trabalho num estudo da OMS, garantindo que “o importante é que estas temáticas cheguem junto do grande público”. A investigadora considera que a divulgação do conhecimento produzido é uma “obrigação”, acreditando que este pode ajudar “as crianças, os pais e professores” a prevenirem situações de bullying e a saberem como intervir, no caso de estas já existirem.

Segundo o estudo da OMS, Portugal é o 33º país, de 42, em que menos alunos dizem gostar muito da escola (apenas 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos). A incidência dos casos de bullying também é preocupante uma vez que apresenta a 16.ª taxa mais alta de alunos de 11 anos a dizerem-se vítimas deste tipo de violência e a 12.ª no que diz respeito aos de 15 anos.

Beatriz Pereira alerta para a ‘necessidade de encontrar na escola não só espaços de ensino obrigatório, mas também espaços onde as crianças se encontrem livremente e por decisão própria de maneira a poderem partilhar preocupações comuns’.

A investigadora explicou como o desporto escolar ou o “integrar um grupo de música ou um grupo de teatro” pode contribuir para que as crianças desenvolvam ‘todas as suas competências num ambiente democrático, de respeito por si próprio e pelos outros’. Nos casos em que estas têm alguma dificuldade em se relacionar com os outros, o facto de terem como alternativa ‘um grupo de pares fora da escola ou dentro desta numa área mais específica’ pode funcionar como “um fator de proteção”.

A professora sublinha a importância de um “período considerável de recreio” no 1º e 2º ciclos, por se tratar de um momento em que as crianças ‘conseguem interagir de forma livre e, portanto, aprender a respeitar os direitos dos outros e também a ser assertivas de maneira a que se mantenham respeitadas”. A investigadora sugere também a disponibilização de materiais para que as crianças possam “definir que brincadeiras querem realizar, com quem é que as querem realizar e em que circunstâncias é que vão decorrer’.

Beatriz Pereira apela também a uma maior atenção a nível municipal e nacional para a questão da prevenção do bullying, atribuindo especial relevância à “formação inicial e contínua dos professores”. Estes devem ser sensibilizados, assim como as crianças e os pais, de modo a poderem prevenir, detetar e resolver atos de violência física e psicológica.