“A Rapariga no Comboio”, de Paula Hawkins, é um livro que promete. Bestseller nos Estados Unidos e top nacional de vendas em Portugal com mais de 50 mil exemplares vendidos. “Fenómeno”, “Bestseller do momento”, “Um thriller arrepiante” são algumas das críticas que foram surgindo. Contudo, “A Rapariga no Comboio” desilude. Pelo menos para mim, que parti para a leitura com expectativas altas e que não se concretizaram.

Paula Hawkins traz-nos Rachel, uma mulher que apanha o comboio todas as manhãs para ir para o trabalho. Durante o caminho, Rachel observa a paisagem que, dia após dia, pouco muda – as casas, os jardins, as pessoas. Numa das casas, Rachel observa sempre o mesmo casal ao qual dá nomes e vidas imaginárias. Contudo, num dos dias que ela observa o casal, Rachel nota algo de errado. Foi uma fração de segundos mas que deixa Rachel bastante perturbada. Dias depois, ao saber da morte de uma mulher, Rachel decide que não pode manter em segredo o que viu naquela manhã e inicia-se uma sucessão de acontecimentos que mudarão a vida de todos os envolvidos.

Fonte: wtop.com

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Bem, a sinopse é típica de um thriller, um policial que semeia a curiosidade no leitor e que promete. As personagens são, na minha opinião, o melhor do livro. São complexas, com várias camadas que se vão revelando ao longo do livro. O enredo em si tem potencial. É uma história sobre um crime: básica, mas extremamente bem pensada. Os suspeitos do assassínio são todos credíveis, todos poderiam tê-lo cometido. Contudo… A partir de certo momento, o verdadeiro assassínio começou a ser óbvio.

Mas talvez a parte que mais me irritou (sim, irritou mesmo) foi Rachel. Rachel é aquela típica personagem “estúpida”. Sabem naqueles filmes quando uma mulher está sozinha em casa e ouve um barulho estranho e, em vez de fugir, vai à procura do que é e, inevitavelmente, acaba morta?! Bem, Rachel é mais ou menos assim. Ao longo da história, mete-se em todo o tipo de situações que a poderiam pôr em perigo, e que qualquer pessoa, no seu perfeito juízo, nunca se meteria! É, de facto, uma personagem que coloca o leitor à beira de ter um ataque de nervos. Não gostamos dela no imediato, pois os seus problemas com o passado e a sua falta de controlo sobre si própria faz-nos querer dar-lhe um abanão. Contudo, no desenrolar da obra, acabamos por perceber o porquê de ela ser assim (perceber sim, compreender talvez não).

“A Rapariga no Comboio” é um livro que vai ao fundo das relações humanas, que toca em temas difíceis, coisas que afetam o íntimo das pessoas mas que, por vezes, não são faladas. Este livro não me choca pela frieza com que descreve determinados acontecimentos e pessoas. Choca-me antes o despreendimento, o fazer da vida de terceiros uma marioneta, o manipular das fraquezas de outros, os seus medos e suas angústias.

Fonte: easonedition.com

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A solidão é algo que é perturbador nesta obra. É-nos apresentada de forma perturbadora, fazendo-nos pensar no que pode levar uma pessoa a fazer algo, na forma incrível com que manipula alguém e a deixa à beira de um abismo. Hawkins é fenomenal na captação dos sentimentos das personagens, e consegue fazer-nos sentir, ainda que por pouco tempo, o que as personagens estão a sentir e a viver.

“A Rapariga no Comboio” é um livro que promete muito, mas que, inevitavelmente, faz com que o leitor se sinta defraudado. Contudo, é uma leitura interessante, que recomendo.