Quando nasceu, a 6 de fevereiro de 1945, na Jamaica, Robert Nesta Marley estava longe de saber que, um dia, se tornaria o rei do reggae. Com mais de 20 milhões de discos vendidos mundialmente, Bob Marley tornou-se o embaixador deste género musical em todo o mundo, e foi a primeira pessoa do chamado Terceiro Mundo a obter o estrelato. Faleceu em Miami, no dia 11 de maio de 1981, com 36 anos.

A infância passada na pobreza do bairro de Trench Town, na cidade de Kingstown, deu-lhe a inspiração necessária para a criação da sua música: um reggae ativista que deixou marcas. Foi também neste bairro que Marley, para além de ter ganhado o gosto pelo futebol e por marijuana, teve o seu primeiro contacto com artistas norte americanos, tais como Ray Charles e Elvis Presley.

Em 1963, juntamente com um grupo de amigos, formou a banda Wailling Wailers, mas foi só em 1970 que, depois de celebrarem contrato com a Island Records, o grupo se reuniu em estúdio para gravar Catch a Fire, álbum que recebeu excelentes críticas discográficas. No mesmo ano, a banda gravou Burnin’ , no qual se incluiu a música “I Shot the Sheriff”, que seria cantada, em 1974, por Eric Clapton. Depois do cover feito pelo cantor britânico, os Wailling Wailers ganharam outra projeção e foi então que se iniciou a escalada de Bob Marley.

Ao mesmo tempo que ia ganhando reconhecimento no mundo da música, Marley participava cada vez mais no movimento rastafariano e na vida política da Jamaica. Em 1976, ano de eleições parlamentares no seu país, foi vítima de um tiroteio na sua casa, dois dias antes de um concerto cujo objetivo era devolver à Jamaica a paz, tendo em conta os confrontos quase diários entre os apoiantes das diferentes forças políticas. Este concerto recebeu inclusive o apoio de Michael Manley, candidato pelo People’s National Party. Os opositores de Manley viram esta ação do político como uma iniciativa que iria prejudicar o candidato oposto e invadiram a casa de Bob Marley. Apesar de ninguém ter sido morto durante o tiroteio, o cantor acabou por ficar com um ferimento no braço esquerdo.

Apesar dos alertas, Marley acabou por comparecer ao concerto Smile Jamaica, um espetáculo pela paz onde, quando questionado sobre os seus ferimentos e sobre a decisão de manter o concerto, disse: “As pessoas que estão a tentar destruir o mundo não tiram um dia de folga. Como posso eu tirar, se estou a fazer o bem?”

Bob Marley, ao centro, com o restntes elementos da banda Wailing Wailers, Bunny Wailer e Peter Tosh. Fotografia por Michael Ochs Archives/Getty Images

Bob Marley, ao centro, com o restantes elementos da banda Wailing Wailers, Bunny Wailer e Peter Tosh. Fotografia por Michael Ochs Archives/Getty Images

Após o concerto Smile Jamaica, os Wailling Wailers não perderam tempo e mudaram-se para Londres, onde, conquistaram os primeiros lugares dos charts ingleses e americanos, a cada disco novo que lançavam. Em 1978, fazeram uma viagem até África, viagem esta que teve especial importância pela visita feita à Etiópia, um dos países onde a cultura rastafári tem mais presença. Um ano depois, a banda lançou Survival, um dos discos mais politizados do grupo, onde se abordavam problemas que caracterizam o continente africano, desde a fome às guerras. Em maio de 1980, é lançado Uprising, um sucesso imediato que contou com os temas “Could You Be Loved” e a “Redemption Song”.

Em 1980, foi diagnosticado cancro da pele ao cantor. A doença, uma espécie de cancro da pele, havia-se desenvolvido debaixo da sua unha onde, anos antes Bob Marley tinha feito uma ferida que não havia cicatrizado da forma correta. Apesar dos conselhos dos médicos para amputar o dedo, Marley manteve-se fiel à crença rastafári de que “o corpo é um templo que ninguém pode modificar”. O tipo de cancro de que Marley sofria espalhou-se por todo o seu corpo e levou à sua morte em 1981.

Após ter falecido, a sua música e legado ganharam mais relevância no mundo. Hoje, o cantor e ativista é visto como um dos maiores defensores da paz e da liberdade e o seu dia de aniversário, 6 de fevereiro, é feriado nacional na Jamaica.

Fotografia: Rolling Stone

Fotografia: Rolling Stone