Se até dia 2 de Dezembro associávamos Childish Gambino – alter ego musical de Donald Glover – a rap, assim que Awaken, My Love! nos chegou aos ouvidos, a visão que tínhamos dele alterou-se.

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Nesta terceira aventura no mundo da música, Gambino amadurece; põe o rap de lado e adota um leque de sonoridades dos anos 70 que se estendem desde o soul e funk, ao rock psicadélico. O casamento destes estilos dá origem a uma musicalidade fantástica, que nos transporta diretamente para os anos 70, sem deixarmos de ter noção que estamos em 2016.

A produção deste projeto é algo a ser destacado. Todas as canções apresentam sons complexos e bastante detalhados, que se complementam magicamente para tornar o todo numa experiência musical muito mais rica.

Me And Your Mama” abre o LP de uma forma grandiosa. Os vocais soberbos, tanto de Gambino, como do coro, namoram o instrumental nubloso onde a guitarra se destaca.  “Boogieman” e “Zombies” exibem um groove funk embelezado com leves toques assombrosos, que ilustram perfeitamente a mensagem das canções.

A passagem entre a solarenga “California” e a ominosa “Terrified” marca uma mudança de tom no álbum. Em “Terrified” damos conta que o mundo não é a praia descrita em “California” e passamos de uma primeira metade mais despreocupada para uma segunda metade com uma carga emocional muito mais vincada.

É aqui que temos as canções mais tocantes de Awaken, My Love!. Em “Baby Boy”, Gambino conta ao filho os seus receios para a nova etapa da sua vida, bem como a relação tempestuosa que mantém com companheira, o que nos remete para a primeira faixa do álbum onde a relação é primeiramente descrita.  A narrativa é continuada em “The Night Me And Your Mama Met”, uma faixa instrumental tocada por Gary Clark Jr., que cria notas carregadas de emoção e sensualidade.

Ainda assim o prémio de canção mais sensual do álbum vai para “Redbone”. A sexta faixa do álbum é uma magnífica canção soul que transpira sedução e prazer em cada segundo.

Standing Tall” fecha o álbum da melhor forma possível. Nesta canção altamente emocional, Donald recorda e transmite, ao seu “baby boy”, os concelhos que os pais lhe deram sobre se manter positivo.

Awaken, My Love! é um projeto diferente de tudo o que tinha sido feito por Gambino mas ainda assim é seguro dizer que este é o seu melhor feito musical. É impossível ouvir Awaken, my Love! e não ser contagiado pelos sons que saíram de um trabalho de produção imaculado. Existem algumas partes menos boas: “Riot” acaba muito abruptamente e “California” apresenta vocais um pouco desassustados ao resto do álbum. Mas nem mesmo estes pontos menos positivos chegam para retirar mérito a um projeto tão magnifico.

Houve um Gambino antes e haverá um Gambino depois, mas este é o Gambino de hoje e hoje Donald Glover provou o quão excecional é.