Homem do Jogo

Emmanuel Boateng

Os índices elevados de posse de bola e a constante pressão alta exercida no primeiro tempo por parte dos encarnados impossibilitaram o meio-campo do Moreirense de distribuir rapidamente o esférico para os homens do ataque. O extremo ganês, sem apoios, esteve praticamente invisível no primeiro tempo. Com o jogo já empatado, Boateng estava no sítio certo para carimbar a “cambalhota” no marcador. Este foi o ponto de viragem na exibição do jovem extremo. Revelando a sua técnica e ousadia, Boateng rompia a linha defensiva do Benfica vezes sem conta, explorando a falta de velocidade no setor mais recuado dos encarnados. O seu segundo golo na partida espelhou a sua frieza no frente-a-frente com Ederson, que só não foi batido mais vezes devido à sua qualidade entre os postes. Até ao apito final, continuou em busca do seu hat-trick. No Estádio do Algarve, Boateng foi o carteiro que entregou a final da Taça CTT ao Moreirense.

Em cima

Francisco Geraldes

No primeiro tempo, juntamente com Podence, foi dos poucos a criar espaços na até então organizada defesa encarnada. Nos últimos 45 minutos, com os seus passes teleguiados, permitiu que os minhotos virassem o resultado num espaço de dez minutos. A assistência para Dramé foi a cereja no topo do bolo, explorando a velocidade do extremo francês. O segundo golo dos minhotos, um livre com jogada ensaiada, nasceu no pé direito do médio emprestado pelo Sporting. O “miúdo” de 21 anos também ajudou nas tarefas defensivas quando a equipa mais precisava. Um verdadeiro todo-o-terreno no meio-campo dos cónegos.

Daniel Podence

Com apenas 1,65 metros, o pequeno Podence faz maravilhas com a bola nos pés. O papel do jogador emprestado pelo Sporting no esquema tático do conjunto de Augusto Inácio é inegável, fruto da sua velocidade, técnica e visão de jogo. Contudo, nos jogos contra os “grandes”, nos quais a sua equipa tem menos tempo de posse, Podence tem menos oportunidades para demonstrar o seu potencial. Mas existem sempre exceções à regra. Jogando no lado esquerdo do ataque dos “verde e brancos”, fletindo sempre para o centro do terreno, o jogador de 21 anos baralhou os defesas contrários, quer com passes de rutura, quer com dribles sobre os jogadores encarnados. O 2-1 surgiu através de uma jogada de génio do número 56, que vive um dos melhores momentos da sua curta carreira.

Em baixo

Jardel e Eliseu

É fácil apontar o dedo aos defesas de uma equipa quando a mesma sofre três golos numa parte. É um facto. Mas Jardel e Eliseu apresentaram um nível muito abaixo do esperado na partida de hoje. Tal como toda a defesa encarnada no segundo tempo, Jardel mostrou-se displicente e desorientado. A falta de rotinas entre o brasileiro e internacional português também foram visíveis, principalmente nos contra-ataques dos cónegos. Os lisboetas não sofriam três golos na segunda parte desde 23 de novembro do ano passado, na deslocação ao reduto do Besiktas. Uma noite para esquecer.

Jonas

Desde os escalões de formação, todos os treinadores pedem a mesma coisa aos seus avançados: golos. A verdade é que Jonas tem feito esse trabalho com sucesso, com três golos no mesmo número de partidas. No entanto, todos os jogadores têm os seus dias menos positivos. E o avançado brasileiro que o diga. No Estádio do Algarve, Jonas não carimbou o seu nome na lista de marcadores do encontro, logo quando a sua equipa mais precisava. Não foi por falta de tentativas, visto que foi um dos elementos mais interventivos no ataque encarnado. Os dois remates ao ferro do brasileiro espelham a sua falta de sorte na partida frente aos minhotos, que ditou a eliminação dos lisboetas da competição. Há dias em que nada corre como planeado. Jonas viveu um desses dias.