Encerrou ontem o Vodafone Paredes de Coura. O festival cantou os “Parabéns” a 25 anos de música na Praia Fluvial do Taboão, mas antes houve Foals, Ty Segall, e um concerto de Benjamin Clementine que deixou ar de ser um clássico de Coura.
Benjamin Clementine surgiu descalço, de macacão azul, e acenando timidamente para o público. Mas apesar de ter menos de 30 anos, Clementine mostrou uma interação com o público digno de veterano. O momento alto da noite surgiu em “Condolences”, com o britânico a servir de maestro para um recinto cheio. “Desliguem as luzes e fechem os olhos”, pediu Clementine, enquanto todos cantaram em uníssono o refrão que mandava condolências ao medo e à insegurança. “Foi dos melhores concertos do festival”, disse João Martinho, de 20 anos. “Consegui criar uma rápida ligação com o público, que também se deixou levar pela energia do Benjamin”.
Depois de Clementine e dos técnicos de som serem apupados por arrumarem os instrumentos da banda, houve rock daquele clássico e característico de Coura. Ty Segall, que voltou a Paredes de Coura (já cá tinha estado pelos Fuzz) deu um concerto que se junta a Thee Oh Sees e King Gizzard & The Lizard Wizard como um dos memoráveis concertos de rock nos últimos anos. A banda do americano deu um concerto que primou pela grande destreza individual dos músicos, especialmente do próprio Ty Segall na guitarra eléctrica e de Mikal Cronin no baixo.
Para encerrar a 25ª edição do Vodafone Paredes de Coura, os Foals passaram pelo palco principal, e deram um concerto que andou entre o leve e animado (com músicas como “My Number”) e o mais forte e de levantar moshes na linha da frente. O pó era muito neste último dia, mas isso não impediu o recinto esgotado de dançar e saltar ao som da banda de Yannis Philippakis. No final, houve bandeira nacional em palco, e finalmente um Paredes de Coura que se despediu bem, depois de CHVRCHES e Ratatat terem desiludido em 2016 e 2015, respectivamente.
Após Foals, cantaram-se os “Parabéns” no palco principal, com acompanhamento de imagens sobre 25 anos de música e convivo num local que carinhosamente se tornou cada vez mais num “Couraiso”. Com João Carvalho e o rio Coura no centro das fotos e ao som de “All My Friends” de LCD Soundsystem, assim nos despedimos até ao dia 15 de agosto, data anunciada para o regresso do Vodafone Paredes de Coura em 2018.
Com este final de noite, quase nos esquecemos do resto de um grande dia de música. Foxygen a meio da tarde ofereceram um concerto atípico de Coura, e mais digno de spot publicitário dos anos 70, saído de “Mad Men”, especialmente com músicas como “Avalon” e “Follow The Leader”. Manel Cruz abriu o palco principal para um concerto bem intimista, depois dos vimaranenses Toulouse subirem ao palco secundário.
O Vodafone Paredes de Coura, com Benjamin Clementine como protagonista, disse “Adios” a uma edição histórica do festival, com chave de ouro. A 26ª edição já está marcada para entre os dias 15 e 18 de Agosto.
Hélio Carvalho
Sofia Moreira





