Decorreu ontem a segunda edição do Tunão, o festival organizado pela Tun’ao Minho. O espetáculo encheu o auditório do conservatório da Gulbenkian, em Braga, e contou com tunas de todo o país para uma das grandes noites académicas do ano.

Hélio Carvalho/ComUM

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O público começava a sentar-se na Gulbenkian. Desde estudantes minhotos a famílias de pais e filhos, todos se preparavam para o II Tunão. Começaram os “padrinhos”, a Tuna Universitária do Minho. A única tuna masculina no festival abriu em grande o Tunão, com os temas mais conhecidos dos “vermelhinhos”, como “Partizan” e “Boémia”, e as piadas do costume. Também a apresentação do resto do festival lhes coube a eles, entretendo o público presente com o humor descontraído tão característico dos festivais de tunas do Minho. “Lá em baixo não é nada disto, é tudo tão formal”, dizia um casal de Évora que apanhou o Tunão numa visita a Braga.

A primeira tuna a concurso foi a TunaMaria, da Faculdade de Ciências e Tecnologias na Universidade Nova de Lisboa. Vindas de Almada, fizeram jus à tradição lisboeta, trazendo temas de Amália e Mariza. A tuna foi a única que não esteve presente nas serenatas do dia anterior, mas com uma desculpa “plausível”. “Chegámos atrasadas porque estivemos com o Presidente da República. Foi muito giro, o Sr.Presidente foi muito simpático connosco, e é sempre uma honra para nós e para a nossa faculdade tê-lo lá. E temos uma selfie com ele, uma ‘Marselfie’!”, disse Beatriz Carvalhelho, a magister da TunaMaria.

De seguida, entraram as Mondeguinas. Sem sair do sítio, as estudantes de Coimbra não concorreram a prémios de melhores solista, porta-estandarte ou pandeireita, por respeito ao legado revolucionário que carregam. “Neste momento, é o que nos caracteriza como tuna, e não queremos fugir às nossas origens nem a quem nos formou”, afirmou Inês Santos, a magister. Como se pode esperar de uma tuna coimbrense, reinou a saudade e o amor à capa negra, além dos tributos a Zeca Afonso e Vitorino.

Hélio Carvalho/ComUM

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Depois do intervalo, e das (muitas) piadas sobre engenheiras e Guimarães por parte dos tunos apresentadores, veio a Tun’Obebes, a Tuna Feminina de Engenharia da UMinho. As engenheiras trouxeram um torrencial de alegria e diversão, estrearam um novo tema – um cover de uma música dos Quatro E Meia -, e levantaram muitos de um público que lhes era quase caseiro.

Por fim, a última tuna a concurso foi já uma repetente do festival, a Tuna Feminina de Medicina da UPorto, ou Tufemed. As portuenses também arrancaram aplausos e gritos pela cidade invicta, especialmente depois de dedicarem um tema aos bombeiros que lutaram nos incêndios em Braga. Foi a segunda vez da Tufemed no Tunão, mas Mariana Silva, magister da tuna, não fecha a porta a mais visitas. “É um festival que nunca nos deixa mal, é sempre espetacular estar aqui, e temos uma relação muito boa com a Tun’ao Minho. Foi também um reviver de momentos do ano passado”.

Antes dos prémios, houve ainda tempo para apresentação das anfitriãs da Tun’ao Minho. Novo tema, novas capotilhas e novas caloiras, as fichas estiveram todas na mesa para as bracarenses, que comemoraram apenas o quinto aniversário no passado dia 17. As músicas já bem conhecidas animaram o público da casa, que se levantaram dos lugares para aplaudir a tuna organizadora.

Na hora da entrega dos prémios, a Tun’Obebes foi a grande vencedora da noite, levando os prémios de Melhor Tuna, Melhor Serenata, Melhor Pandeireta, Melhor Original, Melhor Instrumental e Melhor Lip Sync. A Tunamaria ganhou o prémio de Melhor Solista e a Tufemed os prémios de Melhor Pasacalles, Melhor Estandarte e “Tuna+Tuna”.

Hélio Carvalho/ComUM

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“Todos os anos irá haver Tunão” 

“Este é o terceiro tunão, elas não sabem contar! Este o segundo Tunão que é o terceiro, o ano passado foi o primeiro que é o segundo!”. Os tunos continuamente brincaram com o número 3 e as edições do Tunão. Foi uma piada constante entre apresentadores e público, e ficou a dúvida sobre em quantos vamos. Ora, o primeiro foi um encontro de tunas. O formato em festival começou apenas o ano passado. Assim, e tendo em conta o aniversário da Tun’ao Minho, o primeiro festival surge após quatro anos de tuna.

“Muito sinceramente, quando iniciei este projeto, nunca pensei que conseguissemos organizar um festival após quatro anos. Está a correr muito bem”, disse Severina Cardoso, a fundadora da Tun’ao Minho. Severina, de nome de tuna “Poses”, congratulou o projeto que começou há cinco anos, e não deixou de mostrar agrado pela aceitação que o Minho e os estudantes têm mostrado às tunas femininas. “Eu acho que as coisas têm de ser feitas de forma gradual e racional, mas acho que está tudo pronto para as tunas femininas”.

Este Tunão marca também o final do “mandato” de Ivone Costa como magister da tuna. A estudante de 26 anos revelou-se surpreendida pela adesão do público, mas também dos apoios à organização. “Pensava que este ano ia ser mais complicado a nível de patrocínios, mas surpreendentemente tivemos mais apoios que no ano transato. Superou imenso as nossas expectativas nesse sentido. Vê-se cada vez mais pessoas a querer ajudar na cultura das tunas académicas”.

Hélio Carvalho/ComUM

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Em declarações ao ComUM, e questionada sobre a longevidade de outros festivais de tunas, como o Trovas ou o FITU Bracara Augusta, Ivone Costa não tem dúvidas se o Tunão é mesmo para ficar. “O Tunão é um compromisso anual. A partir do momento em que começou a ser feito em formato festival, é um compromisso anual, portanto sim, todos os anos irá haver Tunão. Só se acontecer alguma coisa, mas não vai acontecer nada! O Tunão é para continuar e para virem muitas muitas edições”.

Seja no Theatro Circo ou a continuar na Gulbenkian, o público bracarense mostrou-se pronto para ouvir mais das tunas femininas. O mês passado, o XXII Trovas preencheu o Theatro Circo, mas Ivone Costa não quer saltar para o Theatro tão cedo. “Nós pensamos nisso, mas soubemos através de outros grupos culturais que está a haver uma enorme dificuldade em continuar lá o espetáculo. Nós não queremos voar muito alto, queremos ir com calma”.

Se um dia o Tunão se ouvirá debaixo do candelabro do Theatro Circo, não sabemos. Mas perante um público de sorriso tão rasgado à saída da Gulbenkian, é difícil não esperar por muitas mais edições do Tunão.