A instalação do artista japonês faz parte do programa “Scale Travels” do gnration, e inspira-se na investigação em nanotecnologia do INL. Isto num ano em que Braga foi eleita Cidade Criativa Da UNESCO na área das Media Arts.

Terminou no passado dia 20 de janeiro a exposição que, durante os últimos três meses, teve lugar na galeria INL do gnration. “ad/ab atom” é um projeto realizado pelo artista japonês, Ryoichi Kurokawa, em parceria com o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL). A exposição consistiu numa instalação multicanal e audiovisual baseada em materiais microscopicamente detetados e inspirada na nanotecnologia de ponta.

Sofia Summavielle/ComUM

A instalação faz parte do programa “Scale Travels”, produzido pelo gnration. O projeto convida artistas e investigadores a explorar colaborativamente as áreas da nanotecnologia e do audiovisual, e conta com a supervisão científica do INL.

Ryoichi Kurokawa vive e trabalha em Berlim. Os seus trabalhos assumem múltiplas formas, tais como projetos de instalação, gravações ou peças de concertos. Na sua mais recente instalação audiovisual, alia a arte e a nanotecnologia, resultando numa criação artística visualmente hipnótica. Durante os 3 meses em exposição, trouxe à casa bracarense mais de 2500 visitantes, desde entusiastas da ciência a turmas do ensino secundário.

Em fila, posicionam-se sete ecrãs, que crescem um a um através de uma onda de inclinações. A primeira e a última são colocadas em ângulos opostos de 45 graus. Apenas a tela central está totalmente plana. Vibram e cintilam com dados numéricos que iniciam em microescala, passam para nanoescala e regressam depois a micro. Entretanto, quatro canais de som crepitam e aumentam o volume a diferentes frequências pelos quatro cantos da sala escura.

A exposição é acompanhada por um vídeo explicativo, onde Kurokawa desvenda um pouco da ciência por detrás da composição. O artista procura “apresentar uma nova forma com diferentes ângulos e posições” e revela que, para este projeto, preferiu “usar a estrutura de uma forma torcida”. Diz também que o seu trabalho “não tem um propósito educativo”, mas permite-lhe criar uma “conexão entre a arte e a ciência”.

O material utilizado compreende uma variedade de dados, imagens e códigos fornecidos por investigadores do INL. Kurokawa criou imagens e animações através de uma mistura de processos contrastantes. Reconfigurou os códigos de forma a criar uma série de imagens 2D e 3D. Também as imagens obtidas através de microscópios eletrónicos foram analisadas para encontrar neoestruturas que, por sua vez, foram reinterpretadas para formar novos processos, dando forma ao movimento dos visuais.

Sofia Summavielle/ComUM

Ryoichi Kurokawa estabelece uma nova era do uso do espaço com luz e som e mostra como diferentes tipos de ondas podem ser fundidas no tempo e no espaço como uma só unidade. Combina o audiovisual com o multissensorial e foca-se nas facetas místicas e científicas do universo, num projeto que explora a sinestesia, condição que afeta os sentidos das pessoas, dando-lhes a capacidade de perceber o ruído e os estímulos visuais através de outros sentidos.

Para além das suas obras de instalação e exibição, Ryoichi Kurokawa tem a peculiaridade de ter também apresentado música ao vivo, como artista musical. Em 2014, tocou no festival Semibreve, realizado anualmente em Braga e ligeiramente vinculado ao espaço gnration.

O programa Scale Travels regressa à galeria INL a 16 de março com uma instalação de Antye Greie-Ripatti, também em colaboração com o Laboratório de Nanotecnologia.