Antigo vice-reitor da UMinho foi homenageado em 2017 com a escultura "Artes, Humanidades e Engenharia” no campus de Gualtar.

O antigo vice-reitor da Universidade do Minho, Vítor Aguiar e Silva, é o vencedor do Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural. O anúncio, realizado hoje, destaca o “percurso incomum” do escritor, professor e investigador nos domínios da teoria literária, da literatura portuguesa e “e na fixação e estudo de parte relevante da obra camoniana”.

O júri, que foi presidido por Guilherme d’Oliveira Martins – que é também membro do Conselho de Curadores da UMinho -, escolheu por maioria Aguiar e Silva, referindo que é um “exemplo de cidadania cultural, que liga a dimensão didático-científica à pedagógica”.

O Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural, no valor de 40 mil euros, foi instituído pela Estoril-Sol, em parceria com a Editora Babel, tendo sido atribuído pela primeira vez em 2016 ao ensaísta Eduardo Lourenço. No ano passado, o distinguido foi o jornalista e escritor José Carlos Vasconcelos.

Vítor Manuel Aguiar e Silva, de 78 anos, tem-se dedicado à investigação da literatura portuguesa dos períodos maneirista (século XVI), barroco (século XVIII) e modernista (primeira metade do século XX), e ao estudo da teoria da literatura, “área em que o seu trabalho como professor e investigador tem sido nacional e internacionalmente reconhecido”, realça a Estoril-Sol.

O investigador publicou, entre outros livros, “Camões: Labirintos e Fascínios” (1994), que lhe valeu o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Críticos Literários e o da Associação Portuguesa de Escritores.

Entre as suas obras contam-se também “A Lira Dourada e a Tuba Canora”, editada em 2008, “Jorge de Sena e Camões. Trinta Anos de Amor e Melancolia”, em 2009, e “Teoria da Literatura”, obra de referência do autor, publicada originalmente em 1967, primeiro em fascículos, e desde então reeditada regularmente num só corpo, tendo sido profundamente revista e atualizada a partir de 1981.

Além de ter estado na génese do Instituto Camões, Vítor Aguiar e Silva também coordenou a Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP), tendo sido ainda membro do Conselho Nacional de Cultura. O laureado foi um dos signatários da petição “Em Defesa da Língua Portuguesa contra o Novo Acordo Ortográfico”, ao lado de Vasco Graça Moura.

Aguiar e Silva, natural da freguesia de Real, no concelho de Penalva do Castelo, distrito de Viseu, recebeu várias distinções, entre as quais o Prémio Vergílio Ferreira, atribuído em 2002 pela Universidade de Évora, e o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2007.

Na Universidade do Minho, onde chegou em 1989, foi professor catedrático do Instituto de Letras e Ciências Humanas (ILCH) e fundou e dirigiu o Centro de Estudos Humanísticos, assim como a revista Diacrítica. Foi homenageado, em outubro de 2017, com a escultura “Artes, Humanidades e Engenharia”, de Raúl Freitas, instalada entre a biblioteca e o ILCH no campus de Gualtar, em Braga.

O júri do prémio, ao qual presidiu Oliveira Martins, foi também constituído pelos autores, professores e investigadores Maria Alzira Seixo, José Manuel Mendes, Manuel Frias Martins, Maria Carlos Gil Loureiro, Liberto Cruz e, ainda, por José Carlos Seabra Pereira, em representação da Babel, e Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril-Sol.