Com este novo projeto, os MGMT procuram revitalizar o seu catálogo através da synthpop eletrizante que os trouxe à luz da ribalta no passado, com uma forte aposta numa sonoridade obscura e algo underground.

O duo pop proveniente de Nova Iorque, MGMT, regressa após um hiato de 5 anos com este novo projeto. A história da banda tem sido repleta de altos e baixos, quer pela rápida ascensão a partir do sucesso de hits como “Kids”, “Electric Feel” e “Time to Pretend”, à sua eventual fuga para um estilo mais underground e experimental dos últimos álbuns. Com Little Dark Age acabam por voltar um bocado às suas origens e a estar sobre a atenção do público de novo, mas por todos os bons motivos.

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O grupo fez questão de gerar bastante ansiedade por volta do projeto ao ter lançado, ainda no passado ano, singles como “Little Dark Age” e “When you Die”, com mais algum material a ser lançado ao mundo na última reta antes do lançamento.

Este pequeno álbum conta apenas com 44 minutos distribuídos ao longo de 10 faixas. Pode parecer pouco, mas em geral, a densidade do álbum não sofre problemas e, apesar de algumas músicas estarem à beira de se tornarem demasiado repetitivas ou entediantes, encaixa com o conceito da banda de pequenas baladas synthpop cativantes que nos atingem uma após a outra.

A introdução ao álbum dá se em “She Works Out Too Much”, que se define como uma faixa bastante graciosa, com um instrumental incrivelmente animado e atraente. É esta pautação do ritmo entre sintetizadores e uso de samples que nos trazem até à temática de uma relação que não resultou entre um homem e uma mulher obcecada com o treino físico, fazendo o homem sentir-se velho, deprimido e cada vez mais afastado da realidade por não a conseguir acompanhar.

E é com um belo saxofone desta música de abertura que somos trazidos até “Little Dark Age”. É o tema mais noturno e o que dá o nome a toda esta coletânea. Com bastantes raízes no synthwave e com inspirações algo góticas, a voz atinge nos quase como se assombrasse a própria faixa. É dos momentos mais envolventes e assustadores de todo o projeto.

Ariel Pink dá o seu toque em “When you Die”, que nos relembra bastante do estilo do seu último álbum Dedicated to Bobby Jameson. Claramente uma das influências por detrás deste projeto dos MGMT, com esta música a contar com a sua presença direta na guitarra. É um seguimento perfeito a “Little Dark Age”. Talvez um pouco mais vazio e menos preenchido do que esta, mas mais irrequieto e arrepiante.

“Me and Michael” volta ao tom mais feliz e engraçado do inicio do álbum, baseado no estilo mais airoso e melódico dos anos 80. O que originalmente ia dar palco a uma narrativa sobre um rapaz e uma rapariga, foi mudado para um conto sobre uma amizade incrivelmente sólida entre dois homens porque seria uma temática menos explorada e menos cliché.

E é cheios de nostalgia e de amizade que nos dirigimos para “TSLAMP”, cujo nome transcreve-se para “Time Spent Looking At My Phone”. É uma ode a como os telemóveis afetam a nossa vida e como são uma presença tão iminente no nosso dia-a-dia. É pop algo alternativa, contemporânea, consciente, que nos agarra e cheia de surpresas como a bela progressão angelical no refrão e o baixo que penumbra por debaixo da faixa, encaixando como uma luva. Definitivamente dos pontos mais altos de todo o projeto.

E, de acordo com o duo, após uma pequena dose de ácido, “James” foi criada. Um tributo a um amigo próximo que frequentemente os acompanha quando estão em tour ao tocar a guitarra. É uma música algo estagnante mas suave e divertida, com uma performance vocal estranhamente macia e lenta por o vocalista ter, de acordo com uma entrevista, “passado o dia a gritar sobre o Paquistão”.

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É aqui que “Days That Got Away” nos atinge, sendo na sua maior parte um instrumental. Acaba por ser um momento um bocado baixo no álbum, pelo instrumental não ser tão vibrante como o presente em outras músicas e por isto ser tão crítico quando é a única coisa que está presente.

Mas logo de seguida, “One Thing Left to Try” lembra-nos de tudo o que faz este álbum primar. A sua experimentação, a sua sonoridade por vezes inortodoxa, um conteúdo lírico forte, e o quanto estes dois se unem para guiar a música. E falando de letras, que são excecionalmente entregadas de forma muita direta e positiva, a temática discutida acaba por tratar de forma implícita temas como a depressão e até o suicídio.

“When You’re Small” toma a infância por assalto, de uma forma melancólica e saudosa. É o material mais acústico da coletânea, falando sobre as vitórias e as dificuldades que se enfrentam ao longo da vida. E apesar de ser das faixas menos vibrantes, acaba por ser bem conseguida a um nível em que serve mais como lufada de ar fresco e um bom aperitivo antes do soberbo final do álbum.

E essa conclusão dá-se em “Hand it Over”, que, se me pedissem para descrever de uma forma informal e simples, diria que é o produto de uma colaboração entre The Beatles e Tame Impala. O instrumental sonhador e calmo, juntamente com o eco e a reverberação nas vozes trazem projetos como “Currents” à mente, sem prejudicar o fator mais pop e acústico da precursão do icónico grupo britânico. Tudo isto sem deixar de tocar em temas como a política e a própria queda de popularidade da banda.

E é com esta faixa de quatro minutos que passam a voar que encontramos o fim deste álbum. A estética de Little Dark Age é incrível, com a presença de elementos góticos, new age, pop, entre outros. Mas, na minha opinião, a chave deste projeto está mesmo nas temáticas abordadas pelas músicas que nos agarram do primeiro ao último segundo, com tópicos sombrios, não convencionais, absurdos e únicos que orientam a coletânea. É, na minha opinião, dos melhores álbuns que 2018 nos trouxe no seu ainda pouco tempo de existência.