Antes de partirem para Barcelona, os Boogarins despediram-se de Portugal com um concerto no Gnration. Em 2017, a banda brasileira lançou “Lá Vem a Morte”, o terceiro longa duração, que foi apresentado em Braga.

A Black Box do Gnration tornou-se pequena para receber o último concerto da tour dos Boogarins em Portugal, “natureza morta/alma fértil”. A noite de sexta-feira foi a última dos brasileiros em solo português, mas segundo Benke Ferraz, “é só chamar” para regressarem a Portugal.

Basta o quarteto entrar em palco para o sorriso se apoderar da face do público. A energia positiva dos Boogarins atravessa qualquer barreira. Com emoção e arrepios na pele, “Tempo” fez esquecer as horas. Os silêncios cirúrgicos do tema integrado em “Manual”, o segundo álbum, são momentos de reflexão e alegre confrontação da banda com o público. Pausas que criam empatia.

Apesar da banda ser presença habitual em Portugal, as atuações não deixam de ser especiais. Nesta pequena digressão portuguesa, houve casas cheias e até esgotadas. Braga foi mais um sinal de que o Atlântico não é uma divisão, mas sim algo que liga os dois países irmãos.

“Elogio à Instituição do Cinismo”, “Foimal” e as três partes da música “Lá Vem a Morte” foram passagens incontornáveis neste concerto. Do último disco, também foi retirado “Corredor Polonês”. Um tema com um groove que muito se deve à linha de baixo criada por Raphael Vaz, aliada à invejável técnica do baterista, Ynaiã Benthroldo, um autêntico metrónomo com coração.

Mesmo com um disco fresco, editado em junho de 2017, foram os temas mais antigos que soltaram as cordas vocais do público. Os doces acordes de “Benzin” e a melancolia de “Cuerdo” tornam-se ainda mais intensos ao vivo.

Intensidade é uma das palavras-chave dos Boogarins. O final das músicas em jam solta os corpos em danças que até se podem basear no samba, mas com sons psicadélicos. “Onda Negra” é uma das músicas que vagueia no experimentalismo das melodias vocais com reverb de Dinho, o vocalista e guitarrista.

Depois dessa improvisação vocal e instrumental que ditou o primeiro desfecho e após uns longos segundos de conversa entre o vocalista e um fã brasileiro, o derradeiro final foi “como ir de encontro ao outro e se deixar bater”, tal como diz a letra de “Auchma”, última música do concerto. A banda regressou para um fim anunciado, abrilhantado pela harmonia de “Doce” e com a promessa de um regresso. Não fossem os Boogarins uma banda que atua sempre em casa quando o faz em Portugal.