O festival barcelense decidiu fugir à maré dos festivais de verão e reagendar a festa para o mês de setembro. Anteriormente, realizava-se em julho.

Mais tarde que o habitual e sob o lema “a tradição já não é o que era”, começou ontem o Milhões de Festa com os concertos de Ensemble Insano, Indignu, 700 Bliss e The Mauskovic Dance Band. Pelo meio, houve a fusão da música tribal com a eletrónica da Favela Impromptu, numa noite que terminou com uma aula de Aeróbica.

Milhões de Festa

Ana Maria Dinis/ComUM

Tal como tardia foi a notícia que anunciou a reviravolta do início para o fim do verão do Milhões de Festa e num dia que começou quatro pisos abaixo da terra, a primeira noite demorou a aquecer.

A ignição chegou com The Mauskovic Dance Band, projeto paralelo de Nicola Mauskovic, baterista de Jacco Gardner. Não é um acaso o líder desta banda ser um baterista, precisamente porque as percussões estão na base do grupo mais dançável do primeiro dia de Milhões de Festa. O quinteto vem da Holanda, mas a alma situa-se uns trópicos abaixo, calcando território africano, habitat das batidas, acompanhadas pelas linhas de baixo bem vincadas.

Os The Mauskovic Dance Band temperaram o primeiro dia, que, como habitual, começou com a performance de Ensemble Insano, demonstrando que a maior parte da tradição ainda é o que era. Todos os anos, vários músicos de Barcelos juntam-se para uma atuação no Milhões de Festa e sempre em locais diferentes.

Este ano, o sombrio concerto teve lugar no piso menos quatro de um parque de estacionamento do centro da cidade, junto à Câmara Municipal de Barcelos e à Igreja Matriz. Lá em baixo, a escuridão era total, ficando todos os presentes embebidos naquela atmosfera que subtilmente era iluminada em consonância com as baterias, guitarras, baixos e sintetizadores dos músicos provenientes das mais variadas bandas barcelenses – como Glockenwise, Black Bombaim, Dear Telephone, ou Indignu, mas sempre com um cordão umbilical que os liga à cidade: o rock’n’roll.

Os Indignu também têm de Insano. A banda de Barcelos abriu o palco principal do Milhões de Festa, quando o dia já terminava e a noite já se via. Com o Rio Cávado em plano de fundo, o grupo regressou a um festival onde já havia atuado, mas desta vez teve convidados. Filipe Miranda e Ana Deus acompanharam a banda em dois temas, num concerto em que o prato principal foi “Umbra”, o mais recente disco do grupo, editado em maio deste ano.

O segundo concerto do palco principal esteve a cargo de 700 Bliss, dupla de DJ’s e rappers que criou um after-hours às 22h00, ainda cedo para uma experiência deste tipo, comprovado pelo reduzido número de pessoas que ocupava o relvado em frente ao palco.

Já no verdadeiro after-hours, assistiu-se a uma aula de Aeróbica. Assim é o nome da performance de Nuno Dias, Tomás Wallenstein, Midnight, Trol2000, Miguel Torga e Early Jacker. Dj’s revivalistas, tropicais e também atuais. O essencial para não deixar ninguém parado.

Ao longo dia e da noite, não houve momentos mortos entre concertos. Isto porque, no Palco Taina, a Favela Discos tomou conta do ambiente com quatro atuações, todas elas diferenciadas: “Cooperativa de Marte”, “Os Amigos da Anta”, “Psicobaile” e “Fação Barulho”.

O Milhões de Festa continua até domingo. Hoje, os concertos estendem-se para a piscina – uma das imagens de marca do festival –, continuando no recinto e no centro da cidade de Barcelos.