A décima primeira edição do Milhões de Festa chegou ontem ao fim.

No último dia de Milhões de Festa, dançou-se com Os Tubarões, tocou-se em Marte e purificou-se com a performance de UKAEA. Como sempre irreverente, o festival terminou da forma mais tranquila possível, em modo Silent Disco.

 

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O domingo pôs-se frio para receber uma das bandas mais quentes do cartaz do Milhões de Festa. Diretamente de Cabo Verde, Os Tubarões fizeram jus ao nome do festival que nadou na festa do funaná recheada de clássicos com mais de vinte anos. Não faltou o popular comboio de dança a acompanhar “Tunuca”, “Djonsinho Cabral” e outros temas que celebrizaram a banda formada em 1976.

Ainda o grupo se estava a despedir e já o público pedia mais. Mesmo com menos gente do que nos restantes dias de festival, o Rio Cávado parecia ser o habitat d’Os Tubarões liderados pelo teclista Zeca Couto. Se existe banda que dá primazia à festa, esta pode muito bem ser a eleita.

Logo depois, mas para algo completamente diferente, UKAEA domou o público com um conjunto de rituais que conjugam techno, com percussão analógica e com rituais de purificação. Tudo começou em palco, mas os olhares trocaram-se rapidamente para um grupo de mulheres vestidas de branco que seguravam um andor onde se encontrava outra mulher no topo. Um pequeno tanque que se encontrava em frente ao palco indiciava que algo de diferente se ia passar durante o concerto.

Depois de pousado o andor, várias pessoas do público foram selecionadas para se ajoelharem em frente ao pequeno recipiente com água, enquanto ouviam uma voz angelical num dialeto indecifrável. Algo de puro e pacífico estava a acontecer naquele momento em que a maior parte das pessoas sentava-se no chão, tal como impingido pelas performers. Em simultâneo, a potente batida vinda do palco contrapunha toda esta atmosfera que terminou com o lançamento de pó colorido e com o desbravar eletrónico.

Música digital que anteriormente colocou todos os presentes fora do planeta Terra e transformou-os em ratos entediados em Marte. A dupla alemã Mouse on Mars é capaz de criar um tecnho tão desafiante que a procura por novas combinações é infindável. Até se apresentaram em língua portuguesa e aproveitaram para misturar todo esse som com o seu set.

Eclético por natureza, o Milhões de Festa recebeu mais uma banda de jazz, desta feita foram os Heliocentrics que se tornaram o centro das atenções, com o psicadelismo irregular acompanhado pela voz de Barbora Patkova – também conhecida como Just B. Ela própria deu o exemplo e levou o público a entregar o seu corpo aos sons da banda londrina.

Aproveitando-se do calor, os festivaleiros não rejeitaram uma ida à piscina. Local que foi palco para o concerto dos Tajak, banda mexicana de rock psicadélico que fez abanar os cabelos molhados do público. Tal como os Pharaoh Overload – projeto paralelo dos Circle, banda que atuou no segundo dia de festival – que hipnotizaram até aqueles que estavam debaixo de água com os loops de guitarra, baixo e bateria interpretados por cima de uma base eletrónica. Uma vida nada parecida com a banda principal destes músicos finlandeses.

Entre estes concertos, a tarde foi acompanhada de forma tranquila com os Suave Geração, conjunto de DJ’s vanguardistas à sua maneira, aliam os clássicos com os ritmos mais quentes e tropicais do momento.

Para fechar a piscina, Jhonny Hooker criou um mini carnaval em pleno setembro. O artista do nordeste brasileiro transforma a música numa forma de luta contra a violência sobre os cidadãos LGBT do Brasil.

Da forma menos barulhenta possível, a cidade adormeceu com o som de satisfação do público, porque a música apenas se ouvia com fones. Silent Disco é um conceito já conhecido, mas nunca utilizado neste festival. Consiste em cada pessoa utilizar uns headphones e escolher, das duas opções em palco, o DJ que pretende ouvir. Assim, a bola passa para o público que tem a liberdade de escolher o artista e também o volume da festa.

A organização do Milhões de Festa deseja continuar a mostrar o mundo musical em Barcelos. Por agora, “a tradição já não é o que era”, mas pode voltar a ser. Este domingo ditou o final da edição de 2018 do festival.