O Bosque do Choupal continua a ser palco do Indie Music Fest.

O segundo dia do Indie Music Fest não deu descanso a ninguém. Os concertos dos Throes + The Shine, Enes e de Yuzi fizeram o festival dançar pela noite dentro. De realçar ainda os concertos dos Prana, Solar Corona e Máquina del Amor.

Quando os bracarenses Máquina del Amor entram em palco, o público estava sentado. O guitarrista Filipe Palas não atuou, mas foi substituído por André Batista, membro dos Dead Men Talking.

As sinfonias começaram a espalhar-lhe pelo recinto do palco Relva, enfeitiçando todos os que as escutavam. O publico acompanhava, atento, à medida que as frequências atingiam os recantos mais profundos do Bosque do Choupal. Uns estavam deitados, outros balançavam ao som de melodias experimentais, e assim permaneceram até ao fim do concerto de final de tarde.

Seguiram-se Os Prana, a estrear o palco Antena 3. Começaram a tocar de recinto vazio, mas gradualmente o público é atraído pelo passo acelerado da banda. As pessoas cantam e dançam ao som de temas como “A Porta”, “A Valsa do Cupido, Esse Sacana” e “Vaso Chinês”. Dedicaram uma música “à Matilde e a todos os apaixonados” e terminam o concerto agradecendo à natureza pelo espaço onde acabaram de tocar.

Antes de o sol se pôr completamente, os Vaarwell aparecem e com eles as suas melodias quase angelicais. Um momento encantador entre a voz de Margarida Falcão e o público, que se deixava embalar pelas ondas indie-pop que o grupo proporcionou.

Cai a noite e soltam-se as bestas

Já num cenário escurecido, os Solar Corona, banda de Barcelos, trouxeram o rock psicadélico de volta ao bosque. Começaram por dizer que “provavelmente não vão captar o público”, em tom de brincadeira. Contra as previsões, o público abanou-se ao ritmo da música pesada e tirou os pés do chão durante todo o concerto. Despediram-se com um “obrigado” e deixaram o palco acompanhados por aplausos e assobios de uma plateia satisfeita.

Uma alteração no alinhamento trouxe Iguana Garcia até ao Palco Relva um dia antes do previsto. A substituir os Omodo, o artista proporcionou um concerto de eletrónica psicadélica, tão adorado pelo público do Indie.

Os Keep Razors Sharp pisaram o palco da Antena3. Com um público mais maduro, as pessoas saltaram e acompanharam a banda num verdadeiro estado eufórico. Temas como “The Lioness”, “I See Your Face” e “Always and Forever” marcaram presença. Brindaram com a plateia e despediram-se com “um beijinho e um abraço”.

A noite ainda estava longe de acabar quando os Enes entraram no palco e, com eles, toda a sua excentricidade. Vestidos com calções de leds, que logo chamaram a atenção do público, começam por tocar “Lighter Weight”, marcando rapidamente o tom de um concerto arriscado. Em “Toxic”, Andrés Malta mostrou os seus melhores passos de dança e o público aplaudiu o esforço. Confessaram que “são apaixonados pelo festival” e partilharam a bebida com um felizardo da plateia. O concerto continuou com moshes e muita dança, até que o vocalista pediu a toda a gente para tirar uma peça de roupa, ficando “pele com pele”. Obedecendo ao seu próprio pedido, Andrés, que já estava sem camisola, tira finalmente os calções e atira-os para o público. O concerto acaba com crowd surfing, em trajes menores.

Se os campistas pensavam que já tinham visto de tudo num concerto, os Throes + The Shine vieram provar o contrário. Entre mortais, moshes, escalada nas colunas de som e uma queda súbita do palco, Mob, vocalista da banda, mexeu com todo o recinto do palco Antena3. Ninguém tinha tempo de descansar, música após música, quem não estava a dançar estava provavelmente a dormir. Mob parece uma faísca que não se apaga tão cedo. Ora salta para o público, ora está entre ele. Leva a plateia ao chão com ele e assim a banda despede-se por momentos.

O público contesta e eles voltam para mais três músicas igualmente eletrizantes. Acaba assim um dos concertos mais inesperados do dia.

Durante a madrugada aconteceu o último e muito esperado concerto da mais recente revelação do hip-hop português: YUZI. Uma nova onda de energia atravessa pelo Indie, enquanto YUZI interpreta temas como “TÓMAS”, “TSUBASA” e “XXX”. Trouxe dois convidados surpresa, Lon3r Johny e Fínix MG, muito bem recebidos pelo público. YUZI terminou o concerto de forma bruta para um concerto do mesmo calibre.

Hoje o festival termina com Mundo Segundo, Luís Severo, Papercutz, Conan Osiris e outros.