Desde que começou a jogar em equipas mistas, no Contacto Futsal Clube, até chegar à seleção não passou muito tempo. Agora é campeã olímpica da juventude.

No dia 17 de outubro, dez atletas chegaram ao topo do futsal juvenil feminino. Pela primeira vez, Portugal sagrou-se campeão olímpico da juventude. No seio do conjunto das quinas, emergiram várias jogadoras, tal como Marta Prata Teixeira, mais conhecida por Martinha. Com apenas 17 anos, a jovem de Cabeceiras de Basto arrecadou o ouro e apontou sete golos em toda a competição.

O amor ao futsal surgiu com a “prática”. “Comecei a gostar, agora não consigo viver sem isto”, admite a atleta que representa o Nun’Alvares/IES Fafe. O expoente máximo da paixão pela modalidade aconteceu em Buenos Aires, na Argentina, quando venceu os Jogos Olímpicos da Juventude, destinados a jovens com idade igual ou inferior a 19 anos. Martinha não esquece o apoio e o contributo dados pela família para que chegasse a este patamar. “Os meus pais fazem tudo por mim e, se estou onde estou, é por causa deles”.

Apesar de sentir responsabilidade, a atleta minhota diz que o “orgulho” de representar o país fala mais alto. Mostra-se muito feliz por já ter cumprido um sonho que tinha desde o dia em que os seus pés tocaram na bola pela primeira vez.

“O maior objetivo é chegar à seleção A de Portugal”. Este é, de facto, o grande desejo da número 6 da equipa sub-19 das quinas, que espera também “disputar um Campeonato do Mundo ou da Europa” num futuro próximo.

Clara Oliveira / ComUM

“Passámos muitos momentos lá (em Buenos Aires), não há nenhum que me marque mais. São todos importantes”. Nos Jogos Olímpicos da Juventude, Marta contou com a presença de mais três jogadoras do Nun’Alvares/IES Fafe, que “ajudaram bastante” à coesão do grupo. Segundo a jovem atleta, a união da equipa foi um dos pontos-chave para vencer os seis jogos que disputou.

Depois da conquista, o tempo para festejos não foi muito, pois a época no clube já estava em andamento. Martinha quer superar o registo alcançado na época anterior. Espera “conseguir a manutenção e melhorar o sétimo lugar”, conquistado ao serviço da equipa fafense na fase final do Campeonato Nacional.

Gerir a vida escolar com a prática de uma modalidade é sempre um desafio para os jovens atletas. No entanto, Martinha não tem dúvidas em apontar que os estudos são o “plano A”, pois o futsal não lhe dá garantias profissionais.

Ainda assim, tenta conciliar as duas atividades e pensa que, até ao momento, “tem corrido bem”. Isto faz com que não ceda a tentações de um adolescente “normal”. “O futsal e a escola são sempre a minha prioridade. Por isso, sei que não posso, por exemplo, sair quando tenho jogo no dia a seguir”.

O início da prática de uma modalidade nunca é fácil. Para Martinha isso não foi exceção, tendo começado a jogar futsal aos nove anos, em equipas mistas, no Contacto Futsal Clube. Por isso, sabe que o trajeto, por vezes, é sinuoso, principalmente para uma rapariga, numa modalidade onde há predominância de atletas masculinos. Mas a jogadora cabeceirense aconselha os jovens atletas a não desistirem. “Se gostam disto e têm sonhos para cumprir, lutem por eles. Vão ver que os conseguem concretizar.”

Martinha está de volta à realidade do futsal nacional, depois de ter cumprido um sonho. A jogadora vai ficar para sempre ligada a um dos maiores feitos da modalidade e do desporto português: a primeira medalha de sempre de Portugal nos Jogos Olímpicos da Juventude. E logo a de ouro, mesmo com Prata no Cartão de Cidadão.