Desde o título europeu conquistado por Portugal até às subidas de divisão pelo CD Tondela, Márcio Sousa mostra-se satisfeito com a carreira que teve até hoje. Aos 33 anos joga na AD Ninense, da AF Braga.
Ver um campeão europeu numa equipa dos campeonatos distritais é algo raro, mas a Associação Desportiva Ninense pode gabar-se desse feito. Depois de ser considerado o melhor jogador de uma final europeia contra a Espanha de David Silva, de ser treinado por Mourinho e ter o mundo do futebol a seus pés, Márcio Sousa atua agora no emblema de Vila Nova de Famalicão. Aos 33 anos, completados este sábado, mostra-se satisfeito com o seu percurso: “Não me arrependo de nada do que fiz”.
Se todas as histórias têm um início, a deste atleta começou no Vitória SC, clube da sua cidade natal. O talento do “Maradona de Guimarães”, alcunha que ganhou no emblema vimaranense, rapidamente deu nas vistas e o jogador rumou ao FC Porto com 15 anos. “Na altura foi uma mudança boa, mas difícil porque deixei a minha família muito cedo. Ir morar para o Porto, uma cidade enorme, foi algo completamente diferente, mas bom para a minha pessoa”, revela Márcio.
O sucesso a nível de clubes colocou Márcio Sousa na rota da seleção nacional, tendo feito a estreia com a camisola das quinas no escalão de sub-16, em 2001. Dois anos depois, surge aquele que o atleta vimaranense descreve como “um dos melhores momentos” da carreira.
“É uma sensação indescritível. No momento não tens noção do que acabaste de ganhar. Tínhamos uma seleção forte, mas toda a gente dava a Espanha como favorita. O fator casa foi muito importante para nós”, recorda o atleta natural da freguesia de Brito. As memórias são referentes à final do Campeonato da Europa sub-17, disputado em Viseu, em 2003. Nesse jogo, que culminou numa vitória lusa por 2-1, Márcio brilhou, marcou os dois golos da seleção portuguesa, relegou para segundo plano David Silva, atual jogador do Manchester City, e conduziu Portugal ao título europeu.
Já depois de ter participado no Campeonato do Mundo do mesmo escalão, também em 2003, na Finlândia, o médio regressou ao FC Porto e o seu percurso seguiu a rota que parecia levá-lo ao patamar que todos lhe auspiciavam:
A falta de espaço no plantel principal do FC Porto fez com que o médio fosse cedido ao Sp. Covilhã e ao Vizela, tendo o contrato com os azuis e brancos findado após as duas cedências. Apesar disso, o jogador minhoto não guarda qualquer ressentimento do emblema azul e branco e garante que não pensou que “o mundo fosse acabar no dia a seguir” por ter deixado o FC Porto.
Às passagens por Rio Maior, Nelas, Penafiel e Esmoriz, seguiu-se a chegada ao CD Tondela, clube que Márcio representou durante mais tempo ao longo da carreira (cinco temporadas), no qual subiu duas vezes de divisão – do terceiro escalão nacional para o segundo, em 2011/2012, e do segundo para o primeiro, em 2014/2015. “O Tondela é um clube que guardo com carinho e que me ajudou muito a crescer. Senti que apostaram em mim, dei tudo pelo clube e fui capitão de equipa. O Tondela é um clube diferente e é um orgulho ter jogado lá”, afirma.
“Houve um ou outro momento em que não fiz a escolha certa ou não disse a palavra certa. Apesar disso, não culpo ninguém, não me culpo a mim e tenho muito orgulho na carreira que construí”. O facto de a maior promessa do futebol português da sua geração e uma das maiores a nível europeu nunca ter atuado na primeira divisão pode causar alguma estranheza ao comum adepto, mas o médio assume lidar bem com a situação.
Aos 33 anos, Márcio Sousa afirma que o seu objetivo mais imediato passa por ajudar a AD Ninense, que está no último lugar do Pró-Nacional da Associação de Futebol de Braga e a 18 pontos da ‘linha de água’, a garantir a manutenção. Sendo certo que o fim da carreira está mais próximo do que o início, o “Maradona de Guimarães” quer continuar ligado ao futebol quando pendurar as botas, seja como dirigente ou como treinador.
Imagem e edição: Diogo Matos e Diogo Rodrigues



