A tradição secular repete-se esta quarta-feira em Ponte de Lima e é alvo de crítica por parte dos defensores dos animais.

As festividades populares tauromáquicas têm lugar em todo o país, de maio a outubro, e são, já há muito tempo, tópico de debate e motivo de indignação entre a população. Em Ponte de Lima, celebra-se amanhã a “Vaca das Cordas” e há quem tencione travá-la. Uma petição, que conta já com 6.600 assinaturas, visa a abolição da tortura animal justificada por costumes seculares.

Os peticionários entendem que “a atividade não pode ser considerada ética”, nem devia ser defendida, em termos morais e legais, “numa sociedade que todos desejamos evoluída e moderna”. Pedem, então, à Assembleia da República Portuguesa “uma alteração legislativa”.

“Ano após ano, a opinião pública indigna-se com a prática das Festividades Populares Tauromáquicas realizadas na via pública”, justificam. Desse modo, consideram que deve ser ponderada uma lei que proteja pessoas e animais, “permitindo uma evolução que já peca por tardia”, lembrando que todos os transeuntes, apoiantes ou não da festividade, se encontram em perigo durante o decorrer da mesma.

Alertando para a violência envolvida neste tipo de festividades, denunciam a “brutal violência imposta a estes animais” que, enquanto atiçados pelos populares, são submetidos a “elevados níveis de stress e desconforto”. Consequentemente, além de adotar uma postura naturalmente defensiva, o animal está sujeito a “patas partidas, golpes, pontapés, exaustão, colapsos e ataques cardíacos”.

A tradição, enraizada há muitos séculos na cultura limiana, ordena essencialmente que o animal transite na via pública, preso – ou não – por cordas ao pescoço. No fim da festividade que consiste em dezenas de pessoas à volta de um animal instigado das mais diversas maneiras, os resultados são vários. Estes incluem não só um sofrimento continuado por parte do animal, que só termina após o abate, como também inúmeros feridos, alguns deles em estado grave.

Todos os anos há relatos de vítimas, e o documento acusa, ainda, que o número “é, por norma, falseado para evitar a revolta da opinião pública”. O movimento “Ponte de Lima SEM Tortura Animal” manifestou o seu descontentamento face a esta tradição, lamentando o “triste povo limiano”, na sua página de Facebook.

Os assinantes da petição pedem que a legislação sofra alterações, de modo a que não se permita a realização destas atividades. Com vista a que a festa se torne “uma experiência mais positiva, segura e alegre para todos”, solicitam também que se procurem “alternativas que não incluam a exploração de outros animais para divertimento de apenas alguns”.