A Sociedade estreou a 10 de maio de 2019. A série de drama e mistério da Netflix surge de uma boa ideia, mas acaba por deixar um pouco a desejar.

Imaginem que andam no secundário e que vão a uma visita de estudo. Fantástico, certo? Agora imaginem que quando regressam, todos os adultos da vossa cidade desapareceram sem nenhuma razão aparente. E mais! Imaginem que não há possibilidade de entrar ou sair da cidade nem de comunicar com o exterior. E agora? Como agiriam? Pensariam só no bem estar individual ou no coletivo? De que forma é que construíam uma nova sociedade?

Após um cheiro desagradável ocupar West Ham, o governo local decide levar os alunos a acampar fora da cidade. No entanto, devido a uma tempestade os adolescentes têm de antecipar o regresso. Mas em vez de serem recebidos pelas suas famílias, os jovens dão de caras com uma cidade totalmente vazia. Vêm-se isolados do resto do mundo e sem conseguir contactar os pais nem sair da cidade.

The Society

Enquanto as personagens descobrem o que significa construir uma sociedade a partir do zero, questões como capitalismo versus socialismo e democracia versus ditadura vêm à tona. Para além disso, os jovens percebem o poder e a responsabilidade que alguém tem ao liderar uma população e que as decisões tomadas têm consequências.

Destaca-se também a forma como os adolescentes percecionam a liderança feminina e a liderança masculina. São todos igualmente confrontados com dilemas morais e sociais, como o modo de agir em relação a atos de violência, como aplicar a justiça, qual é o papel de cada um na comunidade, entre outros.

A Sociedade revela-nos ainda o bom e o mau de uma situação de caos. Mostra-nos a forma como podemos ser empáticos para com o outro e como também conseguimos ser egoístas e olhar só para o nosso umbigo. Será que optamos por racionalizar a comida e os recursos de modo igual ou simplesmente guardamos tudo para nós? Pensamos no bem comum ou apenas no nosso próprio bem?

The Society

A premissa da série é muito interessante e a cinematografia foi bem conseguida. A performance dos atores foi boa para aquilo a que foram desafiados, destacando-se Kathryn Newton e Toby Wallace.

No entanto, a história acaba por ter algumas lacunas e a caracterização das personagens é medíocre. Uma série com episódios de 58 minutos tinha potencial para ter um enredo muito mais rico e trabalhado.

Tal como The 100 ou The Maze Runner, também A Sociedade nos põe a refletir no que seríamos capazes de fazer para sobreviver num sítio completamente desconhecido e como nos iríamos posicionar nesse novo mundo. Apesar de tudo, esta primeira temporada consegue despertar o interesse e acredito que ainda poderá vir a evoluir muito mais.