Uma passadeira. Quatro senhores. Uma capa. É impossível não pensar logo em Abbey Road, a rua que The Beatles tornaram famosa após o lançamento do 12º e penúltimo álbum da banda de Liverpool, há 50 anos.
O início da era eletrónica marca as 17 músicas, onde os instrumentos começavam a ser colocados de lado, e tornou possível dar espaço aos então modernos sintetizadores. O disco marca, também, o aparecimento de George Harrison como um compositor de renome, algo que ainda não tinha sido notado anteriormente, vivendo muito na sombra da dupla Lennon / McCartney.
Mal a agulha toca o lado A do vinil, “Come Together” ecoa e o mítico baixo de Paul McCartney fica na nossa cabeça. Pouca gente sabe, mas a faixa foi um pedido de um candidato a governador da Califórnia, e nem era para entrar no álbum. “Something” é a música que mais surpreendeu no álbum. George Harrison inspirou-se na sua esposa e criou a música mais famosa do disco que, a determinada altura, esteve para ser oferecida a Joe Cocker. Frank Sinatra considerou-a uma das melhores músicas até à data, e a receção do público não podia ser melhor, sendo a segunda canção mais ouvida de sempre da banda, a seguir a “Yesterday”.
Por várias vezes, os rapazes de Liverpool consideram “Maxwell’s Silver Hammer” um dos piores momentos da sua história. A música demorou três dias inteiros a gravar, e não teve o sucesso desejado. As brincadeiras de McCartney eram normais em todos os álbuns, e “Oh! Darling!” conta com algumas tentativas de mudar a voz e adicionar algo para nos rirmos ao ouvir.
O baterista Ringo Starr saiu do fundo do palco para ser protagonista em “Octopus’s Garden”, tema que se vira mais para algo infantil. A guitarra do início da faixa é bastante contagiante, – dá vontade de dançar e quebra um pouco o lado melancólico que até agora prevalecia. “I Want You” é uma das músicas mais longas do conjunto britânico e une duas músicas que nunca tinham sido acabadas. Ao início, parece uma música de amor, mas a raiva de Lennon sobressai sobre o carinho.
George Harrison continuava a brilhar como nunca havia feito anteriormente. Desta feita, a abrir o lado B, “Here Comes The Sun”, com mais uns minutos em que a guitarra se sobrepõe à letra, é considerada uma das canções com mais sucesso do álbum. “Because” é inspirada numa música clássica de Beethoven que a mulher de Lennon, Yoko, tocou num ensaio da banda.
O sucesso não esteve sempre presente na vida dos The Beatles. “You Never Give Me Your Money” alude a um anterior agente que lhes roubava algum dinheiro precioso com mentiras. Junta três músicas nunca acabadas, algo que Lennon e McCartney faziam imensas vezes e, a certo ponto, o som dos grilos entra no nosso ouvido, dando a sensação de silêncio dentro da faixa. “Sun King” tem letra em quatro linguagens diferentes, incluindo o português. Os sintetizadores deram jeito para simular a mudança de canal numa televisão.
“Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam” foram escritas numa viagem à India. São de curta duração e contam com solos de bateria rápidos, que ajudam à perceção de passagem rápida enquanto ouvimos o álbum. “She Came in Through the Bathroom Window.” foi uma das faixas que também demorou bastante tempo a ficar pronta. Ringo Starr faz uso dos pratos da bateria e coloca alguma tensão na canção.
A salvação de McCartney em Abbey Road foi conseguida por parte de “Golden Slumbers” e “Carry That Weight”, aproveitando o estilo Medley de muitas outras canções do álbum. A voz num tom elevado e a calma com que canta tornam-nas em músicas de tom balada, bastante fáceis de ouvir, mas com muitas mensagens subliminares para quem lhes queria fazer mal.
O álbum termina com “The End” o que não foi feito ao acaso. A música fecha o álbum e o ciclo da banda antes da separação. Todos os elementos da banda têm direito a um solo, como se fosse a última oportunidade de se mostrarem ao público. No entanto, após um silêncio de alguns segundos, “Her Majesty” dá-nos mais um pouco de graciosidade e termina tudo, como uma homenagem à Rainha de Inglaterra.
Abbey Road é sempre uma boa sugestão para escutar com calma e atenção. Não prometo é que não fiquem com vontade de irem a Londres tirar uma foto na passadeira, aviso já. Algumas músicas são mais conhecidas que outras, é verdade, mas tudo o que é discografia dos The Beatles é património musical a ser preservado.
#Arquivo | Abbey Road: 50 anos de uma passagem para a glória
Álbum: Abbey Road
Artista: The Beatles
Data de Lançamento: 26 de setembro de 1969
Editora: Apple



