Estreou a 27 de Setembro mais um filme de Jim Mickle. A Netflix volta a investir no mundo dos filmes e digamos que, desta vez, se saiu muito bem. In the Shadow of the Moon, é definitivamente um filme que sabe captar o espetador. O bom resultado deve-se à história bem produzida, ligada com a boa prestação de Boyd Holbrook.

Envolvida num grande mistério, a longa-metragem leva-nos a dar uma pequena espreitadela a 2024. Estamos em Filadélfia, num cenário apocalíptico, e parece que algo muito grave acabou de acontecer. De seguida, voltamos atrás no tempo, para o ano de 1988. É nesta viragem que percebemos que o filme se passará ao longo dos anos, viajando entre o passado e o futuro.

In the Shadow of the Moon

Enquanto no ano de 1988, somos levados entre quatro planos diferentes. Primeiro, vemos o espetáculo de um pianista num grande auditório; depois, um restaurante estilo americano com um cozinheiro a trabalhar. Seguidamente, estamos numa central de autocarros e, ainda, no metro. É com estes planos que ficamos a conhecer as nossas três primeiras vítimas, bem como o assassino: de repente e simultaneamente, o pianista, o cozinheiro e a motorista sofrem de uma grave hemorragia e morrem. Logo depois, aparece o homicida, a correr escondido num capuz azul.

O crime misterioso leva Tommy (Boyd Holbrook), um polícia casado e à espera da primeira filha, a ficar muito interessado pelos crimes, quando descobre uma marca presente no pescoço das três vítimas. Então, juntamente com Maddox (Bokeem Woodbine), tenta resolver o enigma dos horrendos e enigmáticos assassinatos. Rya (Cleopatra Coleman) e Brian Holt (Michael C. Hall) entram para dificultar o papel de Holbrook. Holt interfere devido ao receio de perder o prestígio.

In the Shadow of the Moon

Uma pista crucial acaba por parecer ajudar a resolver o caso. Mas, logo tudo se complica quando, nove anos depois, tudo volta a acontecer.

Várias pistas e associações vão sendo lançadas ao longo do filme, o que o torna muito interessante e de fácil visualização. Sempre que se passam nove anos surge o mesmo crime, envolvendo, obviamente, vítimas diferentes. Durante a investigação, Tommy ultrapassa e vive problemas que não sabe resolver, o que nos aproxima da personagem.

O que torna In the Shadow of the Moon ainda mais especial é o facto de relacionar e alertar para problemas atuais, como o abuso de poder por parte da polícia e forças de segurança em relação a pessoas negras. Sensibiliza, também, para a existência de movimentos extremistas, que no passado vitimizaram milhões de pessoas.

In the Shadow of the Moon

O som e música envolvem o espetador num clima muito misterioso e fechado. Já o próprio ambiente e a imagem escura em cenas mais adversas contribuem para tornar todos os acontecimentos harmoniosos e coesos.

O fio condutor da história está muito bem organizado, apesar de, por vezes, se tornar aborrecido. Mas a vontade de descobrir o que acontece no final mantém-se. Talvez por ser um filme policial misturado com futurismo não capte tanto a atenção e se torne até esquisito. Contudo, isso é superado.

In the Shadow of the Moon está, então, muito bem conseguido, envolvendo-nos num clima intenso, sem rodeios, nem excesso de detalhes. O facto de nos serem dadas muitas pistas e de, em diversas cenas, serem mostrados objetos e situações que parecem levar a uma resposta, acaba por nos fazer sentir o próprio investigador.