Uma década depois do filme original, Zombieland volta às salas de cinema com Tiro Duplo. Não existem grandes mudanças e, apesar da introdução de novas personagens e momentos cómicos, o filme continua tão inteligente e hilariante como há anos atrás.

Após ver o primeiro trabalho, nada conseguia prever a chegada de uma sequela. De facto, a narrativa não pedia uma continuação, mas, inexplicavelmente, deixou-nos a pensar como as vidas dos personagens poderiam ser depois de tanto tempo. Isto, juntamente com o sucesso do primeiro filme, explica a chegada de Zombieland: Tiro Duplo.

Zombieland: Tiro Duplo

Para os que nunca ouviram falar na obra cinematográfica, apenas pelo nome sabem que se trata de um filme de zombies. Mas posso garantir que é diferente de qualquer outra deste tipo. Num cenário apocalíptico, em que o mundo foi dominado por zombies, os personagens tentam sobreviver da forma mais engraçada possível. Com personalidades únicas e bem trabalhadas, o cenário, que deveria ser de sofrimento, torna-se hilariante. No trabalho de Ruben Fleischer tudo é motivo de gozo.

Não sei o que os espectadores esperavam, mas as personagens principais não mudaram em nada. As suas personalidades e ações continuam iguais ao que já conhecemos e a única grande mudança vem da personagem Little Rock, o membro mais novo do grupo, que em dez anos passou de criança a adulta.

Claro que, durante este tempo, a sua mentalidade e vontades mudaram, e a verdade é que Little Rock não aproveitou a sua infância como uma criança normal. Por esta razão, e como continua a ser tratada como a irmã mais nova, decide fugir do grupo, que se havia tornado a sua família, em busca de aventura e algo novo. E este é o grande impulsionador de uma nova narrativa, já que os outros membros do grupo, Tallahassee, Columbus e Wichita, vão atrás dela para a salvar de uma nova espécie de zombie mais inteligente e veloz.

Zombieland: Tiro Duplo

Tallahassee continua a mesma figura paternal, rabugento e politicamente incorreto. Columbus e Wichita funcionam agora como casal, mas mantêm as mesmas personalidades que tinham enquanto solteiros. Por isso mesmo, Columbus continua o mais sensível e romântico, ao passo que Wichita mantém o seu espírito livre e rebelde. Com isto, algo inesperado acontece e vem mudar a dinâmica do grupo, ao dar espaço para a chegada de uma nova personagem, Madison. A rapariga torna-se uma das melhores novidades do filme.

Geralmente, sou a primeira a não gostar de personagens como Madison: uma miúda loira, fútil e muito, mas muito pouco inteligente. No entanto, neste caso, o desempenho da atriz Zoey Deutch fez-me adorar a personagem, que esteve na base da maioria das piadas ao longo do filme, tornando-se assim imprescindível.

Na aventura em busca de Little Rock, ficamos a conhecer ainda outras personagens novas. Estas, apesar de não se destacarem tanto como Madison, são também importantes para trazer algo de novo à história.

Zombieland: Tiro Duplo

Em Zombieland: Tiro Duplo, as piadas são simples mas eficazes, como aconteceu em 2009. Não há uso de referências complexas e, por isso, o filme continua a ser de rir à gargalhada. Mantêm-se também os momentos de ação, já que os personagens lutam para se manterem humanos. Estes são sempre momentos perfeitamente intercalados com as situações cómicas e dão mais atitude à narrativa.

Outro dos aspetos a referir é a evolução em termos de produção, o que já era de esperar, que deu ao trabalho mais ferramentas para funcionar. As cenas estão muito bem produzidas, com a utilização de diferentes ângulos, o uso de câmara lenta e o aparecimento de texto com as regras necessárias para sobreviver ao apocalipse, um elemento de que gostei bastante desde o primeiro filme. São todos ingredientes usados para tornar tudo mais dinâmico e único.

Zombieland: Tiro Duplo

Mais uma vez, o filme termina com uma luta épica entre humanos e zombies, agora mais evoluídos e difíceis de matar. Isto pode ser visto como uma repetição desnecessária do filme de 2009, ou então como uma escolha propositada para manter a essência de Zombieland e trazer um pouco de nostalgia. Aposto mais na segunda opção.

Quando chegou o final, não me senti mal por vários elementos se manterem iguais, pelo contrário. Creio que serve para mostrar como uma narrativa de 2009 continua a funcionar uma década depois. Serve ainda, mais do que tudo, como uma viagem no tempo e como forma de satisfazer a curiosidade acerca das personagens.

Apesar de não ser esperada, a sequela de Zombieland surpreende no seu desempenho e, por isso, recomendo que vejam e façam uma mini maratona onde assistam aos dois filmes, pois ambos se completam e terão uma melhor noção do que estou a falar. Para aqueles que não são grandes fãs de filmes de zombies, garanto que este será capaz de mudar a vossa opinião.