Mais um novo ano chega ao fim. Com ele, fecha-se mais um ciclo de produções fenomenais, entusiasmantes, brilhantes e geniais. É o desfecho de um tempo de trabalho artístico, de histórias impressionantes e envolventes, de sons e harmonias que marcam e fazem sentir. Numa época tão recheada e distinta, torna-se difícil a seleção em pouco número. Porém, o ComUM apresenta, no dia que encerra 2019, os cinco projetos que mais se destacaram na música, cinema e literatura nos últimos 12 meses.

Vida Nova

Vida Nova, Manel Cruz – Para Manel Cruz, o ditado “ano novo, vida nova” foi posto em prática em abril com o lançamento do seu primeiro projeto a solo. Na procura por si mesmo enquanto músico, o também artista gráfico lançou-se aos leões e publicou um álbum que tem tudo a ver com essência e simplicidade. Íntimo e simples. É impossível ao ouvinte não sentir uma grande proximidade com o músico, graças à predominância dos sons acústicos. É o artista por si só, sem grandes conceitos nem maquilhagem.

A Invenção do Dia Claro

A Invenção do Dia Claro, Capitão Fausto – A Invenção do Dia Claro, dos Capitão Fausto, é leve e melodiosa, com vozes e letras melancólicas. Inteligente e delicado. Original e único. A combinação entre Pop e Soft Rock fazem com que o projeto não passe despercebido aos amantes de música portuguesa. São a prova mais do que viva de que a boa onda agarra. Impossível fugir à boa disposição.

Igor

IGOR, Tyler The Creator – Em maio, Tyler, The Creator lança o seu sexto álbum. O artista arrebata os ouvintes com um estilo mais refinado do que nunca, mais afastado do Hip-Hop do costume. Fala do que lhe vai na alma com Soul e dá-se a conhecer de uma forma diferente, numa forma mais defensiva, ao contrário da característica atitude polémica. Com o instrumental como protagonista do trabalho, faz apaixonar e continua a surpreender toda a gente, mesmo com as pequenas mudanças.

You Are Forgiven

You Are Forgiven, Slow J – Foi talvez o álbum menos esperado do ano. No entanto, não passou despercebido. Desde o lançamento do projeto- e já lá vão 3 meses- dificilmente passamos mais de uma semana sem ouvir alguma das faixas do álbum. As verdades do artista culminaram num ganho significativamente positivo do Hip Hop português. Um espelho do sentimento. Um espaço seguro que não incomoda, mas conforta. Uma bomba artística, que não deixa de provocar nos ouvintes uma explosão de emoções.

Ghosteen

Ghosteen, Nick Cave and The Bad Seeds – Depois de um período afastado da música, Nick Cave volta em 2019 com um álbum devastador mas sublime. A sua autenticidade confere-lhe força. Cave parece sussurrar de forma transcendente à alma de quem o escuta as dores que a separação perpétua causa. Explora a dicotomia entre a vida e a morte, o sofrimento e a beleza na procura pela aceitação do significado de viver.

 

O Rei Leão

O Rei Leão Simplesmente mágico. O remake da animação infantil de 1994 em live-action. O filme da Disney conseguiu juntar miúdos e graúdos numa aventura emocionante pela selva e a savana. A inovação não estragou, de todo, a história original, juntou-lhe até maior realismo. É impossível não nos rendermos a esta produção de Jon Favreau e verter uma ou outra lágrima no momento que todos sabemos. Uma história maravilhosa e intemporal, com mais do que uma lição de vida para crianças, mas para todos nós. (Título Original: The Lion King)

Variações

Variações Intimista e nostálgico. O filme português mais visto do ano. João Maia apresenta, num ambiente familiar, a história do cantor nortenho. Uma biografia que nos faz viajar no tempo, através da excentricidade dos anos 80 e do próprio músico. Para o realizador foi um milagre, para nós, espectadores, um belo momento de recordação. Apesar de falhar pela pouca exploração do reportório de António Variações, o trabalho consegue fazer qualquer um cantarolar baixinho. (Título Original: Variações)

Joker

Joker O filme mais louco do ano. Uma produção profunda e arrepiante. Um murro no estômago. Só mesmo Joaquin Phoenix para conseguir elevar-se ao nível de Heath Leadger e criar um dos melhores Joker de sempre. Todd Phillips conseguiu superar as expectativas do público, num trabalho que demonstra que as pessoas boas realmente não são devidamente reconhecidas. Provavelmente o melhor do ano mesmo. Fenomenal. (Título Original: Joker)

chernobyl

Chernobyl Uma produção fantástica. Dos melhores documentários alguma vez dirigidos. A série da HBO explica tudo o que aconteceu na explosão da Central Nuclear de Chernobyl de a 25 de abril de 1986. Uma reconstituição muito precisa e detalhada da realidade, que clarifica todos os que ainda pudessem ter alguma dúvida sobre o sucedido. Mais do que o retrato de uma das maiores tragédias da humanidade, um retrato social da época. A forma como a União Soviética tenta abafar o problema espelha problemas muito presentes na altura, como a desinformação da população. (Título Original: Chernobyl)

La Casa de Papel

La Casa de Papel A terceira temporada de La Casa de Papel foi bastante antecipada, mas a série espanhola não cedeu à pressão e impressionou de forma forte. O bando, dois a três anos depois de atacar a Casa da Moeda, vê-se obrigado a tentar fazer o mesmo feito ao Banco de Espanha. Se serão bem sucedidos, apenas o tempo dirá, mas uma coisa conseguiram roubar de certeza: a atenção do público. A produção de Álex Pina continua a fazer disparar as vendas de máscaras de Salvador Dalí e de macacões vermelhos, muito pelos excelentes plot twists e cenas inesperadas. (Título Original: La Casa de Papel)

 

A Terra Inabitável

A Terra Inabitável: Uma História do Futuro, David Wallace-Wells – Apocalítico. Num ano em que se tem dado cada vez mais atenção às questões climáticas, o autor traz uma reflexão sobre o que poderá vir a acontecer no futuro. “É muito pior do que pensa”, avisa o jornalista premiado. Com uma narrativa chocante, prende e sensibiliza o leitor para o que se pode abater sobre nós como consequência daquilo que temos vindo a fazer. (Título Original: The Uninhabitable Earth)

Viagens

Viagens, Olga Tokarczuk – Uma obra filosófica e fragmentada sobre um grupo de pessoas que abandona a vida sedentária em busca da solução para a tragédia no movimento, na viagem. Embora possa deixar o leitor frustrado e perdido devido às explicações e enquadramentos soltos e pouco específicos, a autora consegue prender do início ao fim na sua filosofia. Publicada originalmente em polaco, em 2007, venceu na tradução inglesa o Man Booker Prize em 2018. Em Portugal, foi lançado em Março de 2019. (Título Original: Bieguni)

O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz

O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz, Jeremy Dronfeld – Incrível e comovente. O retrato detalhado da história real de um jovem austríaco que nunca abandona o pai, em momento algum, mesmo quando o maior dos terrores se abate sobre a humanidade. Jeremy Dronfield consegue captar a atenção do leitor a cada momento e fazê-lo embarcar numa viagem tão assustadora como real. Simplesmente impressionante. (Título Original: The Boy Who Followed His Father Into Auschwitz)

As Gémeas de Auschwitz

As Gémeas de Auschwitz, Eva Mozes Kor e Lisa Rojany Buccieri – Mais do que emocionante. Uma história verídica sobre duas irmãs gémeas que foram submetidas às experiências do conhecido Dr. Joseph Mengele, o “Anjo da Morte”. Um relato sobre a sobrevivência, a fé e, acima de tudo, o perdão. “Se eu tivesse morrido, Mengele teria dado uma injeção letal à minha irmã para fazer uma autópsia dupla. Só me lembro de repetir para mim mesma: tenho de sobreviver”, destaca Eva Mozes Kor na obra, autora e protagonista falecida a 4 de Julho de 2019. Sem dúvida, inesquecível. (Título Original: Surviving the Angel of Death: The True Story of a Mengele Twin in Auschwitz)

The Testments

The Testaments, Margaret Atwood – Uma continuação incrível e entusiasmante de The Handmaid’s Tale. Apesar do mesmo tom pesado, o novo livro parece admitir a entrada de um raio de luz na sombria Gilead. Mesmo que muitos dos leitores se demonstrem defraudados pelo pouco que Margaret Atwood conseguiu acrescentar à primeira obra, The Testments não deixa de ser um reforço e, ao mesmo tempo, um acalmar da tempestade. Para além de aguardado, muito interessante e agradável. (Título Original: The Testaments)