Mais uma década do século XXI finda, e com ela, mais uma bela época para o mundo da música. Recordamos, então, as harmonias que nos fizeram sentir e que foram acompanhando os nossos estados de espírito ao longo dos últimos dez anos. Por muito difícil que seja, devido à qualidade dos projetos lançados nos últimos tempos, o ComUM selecionou, em revista, os álbuns que mais se destacaram.

Born This Way

Born This Way, Lady Gaga (2011) – Religião, liberdade e identidade própria são os maiores temas retratados no projeto de 2011 da estrela Pop. O auge da loucura de Lady Gaga está representado no projeto, assim como as críticas mascaradas feitas à sociedade. É a cantora no seu esplendor. Obsceno e cheio de mensagens a favor das mulheres.

Born to Die

Born to Die, Lana Del Rey (2011) – Lana Del Rey tem tudo para estar feliz mas nasceu para morrer. A sua voz doce e melancólica prende os ouvintes durante todo o projeto e faz-nos pensar não só em tudo o que poderíamos ter como em tudo aquilo que não vamos ter – porque nascemos para morrer. Uma viagem pelo subconsciente da própria, que consegue fazer qualquer pessoa identificar-se e, ao mesmo tempo, perceber como funciona a mente da artista.

Random Access Memories

Random Access Memories, Daft Punk (2013) – Nostálgico. Um trabalho atípico para o que é característico da banda. No entanto, consegue transportar qualquer ouvinte no tempo. Uma ode ao passado mas modernissimamente polida. Cada música diferente oferece a qualquer pessoa que o ouça uma experiência sonora diferente, desde faixas mais alegres como “Get Lucky” a canções mais tristes como “Instant Crush”.

AM

AM, Artic Monkeys (2013) – O álbum que verdadeiramente fez com os Arctic Monkeys ficassem na boca do mundo pelas letras profundas e riffs hipnotizantes. O projeto mostra um amadurecimento contínuo e notável, não só pela voz mais evoluída de Alex Turner como pela sonoridade mais detalhada e original. Com músicas que ficam no ouvido e que andaram nas rádios a toda a hora em 2013, AM continua a ser o melhor que o Rock nos deu nesta década.

St Vincent

St. Vincent, St. Vincent (2014) – O álbum homónimo da artista Americana St. Vincent é o mais completo e consistente da sua discografia. Afirmativo e confiante, com um sentido de humor alienado do mundo real e desenvolto numa sonoridade única e marcante, é o projeto que melhor define a cantora. Sentada num trono que construiu para si, St. Vincent afigura-se assim como um dos trabalhos mais bem conseguidos da década.

To Pimp a Butterfly

To Pimp A Butterfly, Kendrick Lamar (2015) – Capaz de transmitir uma mensagem de esperança àqueles que se sentem ignorados e injustiçados apenas por terem uma cor de pele diferente. O projeto transmite sentimentos e pensamentos fortes a quem o ouve, com músicas como “Alright“, que inspirou o movimento “Black Lives Matter”. Analisa a dicotomia entre sentimentos de ódio e amor próprio, em faixas como “u” e “i“. E, durante a duração do álbum, vai crescendo um poema marcante de uma borboleta e uma lagarta. Tudo numa fusão com imensas camadas de Hip-Hop, Jazz e Soul.

A Head Full of Dreams

A Head Full of Dreams, Coldplay (2015) – Em 2015, a banda britânica Coldplay apresentou o sétimo álbum de estúdio, A Head Full Of Dreams. Com colaborações com Beyoncé ou Tove Lo, o grupo revelou ao mundo uma faceta Pop que, embora sempre presente, permanecia escondida por entre os álbuns precedentes. Este constitui um novo boom na carreira do grupo, que conquistou um vistoso espaço nas rádios e na internet com faixas como “Hymn For The Weekend”, “Adventure of a Lifetime” ou “Up&Up”.

Blackstar

Blackstar, David Bowie (2016) – Dois dias antes da sua morte, David Bowie deixou um projeto que, quando ouvido pela primeira vez, desperta uma estranheza e inquietação no ouvinte. Porém, ao ouvir mais profundamente, Blackstar é uma viagem densa que pede a quem o ouve para se aventurar em sonoridades Rock, Jazz e Eletrónica mais sombrias, de modo a perceber os diferentes cantos da mente de Bowie nunca antes exploradas na sua música.

The Getaway

The Getaway, Red Hot Chilli Peppers (2016) – Um disco sólido. Mesmo com todo o sucesso que os Red Hot Chili Peppers tiveram nos anos 80, 90 e 2000, The Getaway reafirma que, mesmo 33 anos depois da formação da banda e com membros diferentes, o grupo é capaz de abraçar novos tons e modificar-se. É um alinhamento consistente e harmonioso, que não se torna cansativo e apela mais à melancolia e aos meios tons, mas sem perder os momentos explosivos tão característicos da banda. É uma compilação de sentimentos, cada musica transmite a sensação de “escapatória” ao ouvinte.

Skeleton Tree

Skeleton Tree, Nick Cave and the Bad Seeds (2016) – Skeleton Tree fala sobre a morte. O caráter trágico está presente em todo o álbum – e a morte de um dos filhos do vocalista contribui para que as letras sejam sentidas de forma especialmente dolorosa. Apesar de tratar de um tema doloroso, Cave and the Bad Seeds conseguem produzir um projeto sublime e belo, ainda que bastante sombrio.