A segunda temporada de The End of the F***ing World estreou a 4 de novembro. Com mais oito curtos episódios, a série da Netflix apresenta o tão esperado futuro.

O trabalho continua todo ele pintado de uma cor só: os cenários, as ações, as personagens, os estranhos problemas, todos únicos. Peculiar, frontal, forte e surpreendente. Nos novos oito episódios, a história mostra-se mais subtil e menos eufórica. Conta novamente com uma narrativa inteligente, intensa e sadicamente cómica, onde prevalece a surpresa e o suspense, mas de uma forma menos doseada. As personagens estão mais maduras e os ambientes mais graciosos. O humor continua perverso em cenas cruéis. O espectador permanece numa constante de não rir para não parecer mal.

The End of the F***ing World

A segunda temporada de The End of the F***ing World é toda guiada através de um objetivo definido logo de início, que declara a ordem dos acontecimentos. A sorte dos acasos, planos trabalhados afincadamente, vontades aleatórias e emoções profundas orientam a imprevisibilidade da história.

Mais uma vez, um James e uma Alyssa são piões num jogo de decisões e consequências absurdas. Apresentam-se mais construtivos e adultos. No entanto, continuam a perder-se por entre escolhas impensadas e sentimentos repentinos. Persistem em dar os seus corpos às balas das mortíferas repercussões das suas decisões.

Jessica Barden (Alyssa) volta a conseguir enaltecer todos os traços da personagem que representa. Vemos um desenvolvimento repentino e justificável da jovem, apesar de continuar ainda recheada de indecisão, diretividade e excitação, características tão marcantes da rapariga.

The End of the F***ing World

Alex Lawther (James) veste o aclamado personagem como um pai perdido, preocupado, magoado, ressentido e com apenas uma missão: despejar as cinzas do pai e proteger Alyssa. O rapaz volta a ser interpretado com todas as suas peculiaridades, mas sem a principal questão que o seguia na primeira temporada, de ser, ou não, um psicopata. O espectador ressente-se, mas depois acaba por compreender.

Naomi Ackie estreia-se na série como Bonnie. É favorável dizer que, sem esta nova entidade, a temporada não ficaria tão pautada. Inclemente, malvada e obcecada com o simples propósito de vingar o seu verdadeiro amor, é esta que direciona grande parte do que sucede. Naomi exterioriza afincadamente a sede de vingança, a falta de empatia e a frieza da personagem.

Em todos estes jovens vemos espelhada os resultados dos seus atos, não só no decorrer das suas vidas, mas também nas suas personalidades e aparências. O passar do tempo é bem marcado e acentuado com o jogo de tonalidade da série.

The End of the F***ing World

Os pensamentos das personagens insistem em assombrar o espectador eficazmente. Também as memórias dos protagonistas o ajudam a centrar na história e fornecem justificações poderosas para o que aqueles jovens decidem fazer.

A banda sonora atropela o público de forma fortíssima, porque não está só como uma música amiga de fundo. Serve severamente para caracterizar as personagens, as formas como agem, pensam e sentem. Dá enfase ao ser de cada pessoa e aos seus estados de espírito.

Uma segunda temporada de The End of the F***ing World de tirar o fôlego. Um quase fim do mundo.