O projeto visa estudar a medicina personalizada através da identificação de doentes que podem beneficiar de terapias especificamente atribuídas.

A partir de Janeiro de 2020, a Universidade do Minho vai participar num projeto baseado em novas terapias contra a infeção fúngica, financiado em 10 milhões de euros pela Comissão Europeia. Coordenado pela Stichting Katholieke Universiteit, na Holanda, alberga mais de dez instituições mundiais que constituirão o grupo de pesquisa nos próximos três anos.

Da totalidade do financiamento, vão ser atribuídos 350 mil euros destinados à investigação na academia minhota. A equipa de trabalho é liderada por Agostinho Carvalho, investigador do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (IVCS), e fazem parte dela membros do IVCS e da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

A metodologia da iniciativa passa pelo tratamento dos dados dos pacientes. A nova terapia tem em vista um reconhecimento mais atencioso dos mesmos e será testada através do interferão gama.

Segundo o coordenador da equipa, pretende-se “desenvolver dois ensaios clínicos paralelos em duas populações de doentes altamente predispostos à infeção fúngica e que apresentam taxas de mortalidade muito elevadas”.

Entre os pacientes, incluem-se pessoas em cuidados intensivos, com risco de infeção por candidíase invasiva (fungos do géneroCandida); e doentes com influenza severa (causada pelo vírus H1N1), que têm um “risco elevado de desenvolver infeção invasiva secundária por aspergilose invasiva” (fungos do género Aspergillus), explica Agostinho Carvalho.

Na defesa de que o futuro da medicina passa pela personalização – mediante algumas condicionantes -, o contributo da equipa portuguesa passará pela identificação de marcadores genéticos. De acordo com o investigador do IVCS, por um lado, estes poderão “ajudar a perceber por que alguns doentes são mais suscetíveis que outros às infeções em estudo” e, por outro, “na identificação de grupos de doentes que poderão vir a beneficiar mais desta terapia”.

Em geral, o projeto terá um grande peso na recolha de dados de vários tipos, entre os quais, genéticos, imunológicos e metabólicos. A informação, a recolher dos doentes, poderá ser futuramente aplicada na determinação dos doentes com maior suscetibilidade à infeção e na justificação desta predisposição, além de prever quais responderão mais eficazmente à terapia.

O projeto acarreta ainda relevância no desenho de terapias futuras, nas quais poderá ser alcançada a personalização terapêutica dirigida a doentes com determinadas características genéticas.