A missão Apollo 11 é uma grande referência quando se fala de marcos históricos importantes. Num documentário com pouco mais de 90 minutos, Todd Douglas Miller conta a história dos primeiros passos na Lua através de imagens surpreendentes que ficaram ocultas durante décadas.

É um dos favoritos ao BAFTA de Melhor Documentário e o motivo é mais do que evidente. A longa-metragem é a combinação de arquivos conhecidos e perdidos até então, o retrato das expectativas e do êxtase gerados em torno da missão na época. Consegue aumentar o fascínio em torno da chegada do ser humano à Lua. Numa narrativa única e fluída, as imagens encaram uma reconstrução competente e Apollo 11 é digno da missão.

Apollo 11

Com direção e montagem ágeis e perspicazes, o realizador arrisca e deixa o conteúdo propriamente dito ao serviço da narrativa. Neste sentido, a imagem fala por si e os áudios dos técnicos funcionam muito bem na descrição problemas e transmissão dos sucessos de cada etapa. É um documentário inovador, na medida em que contem ângulos de câmara alternativos e filmagens que nunca foram usadas. Apesar de ser constituído essencialmente por arquivos originais, quando destes se carece, recorre-se a animações simples, mas impecáveis. Estas últimas combinam com a identidade visual que Miller pretende atingir.

A tensão ao longo da produção é maioritariamente expressa através do trabalho em torno do som. Os passos dos astronautas, a banda sonora, tocada inteiramente com instrumentos disponíveis em 1969, data da missão, proporcionam ao espectador um mergulho mais intenso no projeto. Um dos pontos fortes do trabalho é a elegância nas transições dos dias a partir de uma imagem da Terra captada da nave espacial.

O grande pecado da longa-metragem reside, provavelmente, no foco dado a Neil Armstrong. A importância dada ao último afasta dos holofotes os outros dois astronautas a serviço na missão: Buzz Aldrin e Michael Collins.

Apesar de não acrescentar nada de novo a tudo o que já foi feito, Apollo 11 é um documentário que, na sua generalidade, está bastante bem conseguido. Não são de admirar as especulações em torno do BAFTA, pois o trabalho feito é de louvar. Todd Douglas Miller concretiza um projeto que permite ao espectador estar na pele e na mente dos astronautas.