John Anthony Frusciante é um homem de muitas virtudes: guitarrista, cantor, compositor, pintor e produtor musical. John celebra esta quinta-feira uma mão cheia de décadas memoráveis, quer pela positiva como pela negativa. Desde o destaque como um dos melhores guitarristas da história até aos momentos vincados por problemas mentais.

Frusciante começa a sua vida em 1970, em Nova Iorque e, anos mais tarde, muda-se para a Califórnia. Aos 12 anos desiste da escola enquanto as suas habilidades na guitarra se desenvolviam. A banda favorita desde jovem eram os Red Hot Chili Peppers e o sonho de se juntar à banda tornou-se realidade em 1988, após criar uma amizade com o baixista do grupo (Flea).

Em 1989 grava junto com os Red Hot Chili Peppers o álbum Mother’s Milk. Este manteve o estilo Funk dos anteriores e a maneira de tocar de John era grandemente influenciado por Hillel (antigo guitarrista dos RHCP que morrera de overdose). Mother’s Milk trouxe à banda o primeiro êxito mainstream com o cover de “Higher Ground“, de Stevie Wonder.

Apesar do sucesso que a banda vinha a ganhar, com o lançamento de Mother’s Milk e, posteriormente, Blood Sugar Sex Magik, John estava a ter dificuldades em lidar com a recente fama. Com tudo acaba a afogar estes sentimentos em drogas e comportamento imprevisível – com uma saída abrupta da banda em 1992 a meio de uma tour. Em 1994 lança um álbum a solo, “Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt”.

No final da década, em 1997, John encontrava-se ainda mais submerso na depressão e nas drogas que acabaram por deixar inúmeras marcas físicas. Juntamente com a quantidade de tempo que passou sem praticar o seu instrumento, lança outro álbum, Smile from the Streets you Hold, que foi concebido, afirmado por ele mesmo, com a única intenção de ganhar dinheiro para poder continuar a usar drogas. Este álbum é considerado controverso pelos seus seguidores, contudo, é um dos favoritos do artista.

Após várias entradas e saídas de clínicas de reabilitação, John decide internar-se num hospital, onde se manteve durante um mês. Fraco, debilitado, com deformações físicas e com perda de dentes, decide iniciar um processo de reformulação física e mental. Assim, larga a dependência de drogas e consegue retomar contacto com os ex-membros da banda.

Após uma jam-session – misturada com uma avaliação psicológica – de sucesso, os membros pediram a Frusciante para voltar a tocar com a banda. A chama dentro do grupo havia-se erguido novamente e, após a reunião com os RHCP, a banda lança o icónico Californication, em 1999. O álbum foi um sucesso esmagador de vendas, fama e execução, atingindo as massas a nível mundial. Durante os próximos anos, John faz tours com a banda e gravam os álbuns By The Way e Stadium Arcadium. Ao mesmo tempo, foca-se nos projetos a solo.

Em 2009, o guitarrista anuncia a (segunda) saída dos Red Hot, afirmando que, mentalmente, “já tinha saído há muito tempo”. Foi, então, substituído por Josh Klinghoffer, guitarrista de apoio da banda em 2007. Os Red Hot Chili Peppers foram nomeados para o Rock and Roll Hall of Fame em 2010, porém, Frusciante recusou participar na cerimónia.

Por meados de 2014, lança um novo projeto a solo intitulado de Enclosure que, segundo John, “representa a realização dos objetivos musicais que estava há procura nos últimos 5 ano (…) representa um processo criativo-investigativo.”.

Finalmente, a 15 de dezembro de 2019, pelo Instagram, os Red Hot Chili Peppers anunciam com “grande entusiasmo e corações abertos” o retorno de John Frusciante pela terceira vez à banda. No mês passado, Frusciante fez a primeira performance desde o regresso à banda da Califórnia, na cidade onde esta se formou. Foi um evento a homenagear Andy Gill, fundador e guitarrista da banda de Rock inglesa Gang of Four, que morreu no início de fevereiro.

John Frusciante experienciou o alto das montanhas e os baixos dos vales, tanto a nível da carreira musical como a nível pessoal. A vida de “rock n’ roll”, as drogas, o sexo, a fama repentina, tudo levou ao colapso (quase) fatal do guitarrista. Contudo, com a recuperação, John é um exemplo para aqueles que se encontram em situações semelhantes. O apoio que recebeu de amigos e dos próprios membros da banda revela que há sempre quem esteja lá para nós, independente da situação.

John conseguiu sair do círculo vicioso da autodestruição, emergindo como outra pessoa, com ambição, sonhos e espírito. Um verdadeiro testemunho à luta interior, por si próprio.