Nem todos os atores são conhecidos por dar a cara. Andrew Hutchinson, mais conhecido como Andrew Jack, prestou um contributo valioso ao mundo do cinema enquanto ator, mas mais valioso e certamente mais extenso enquanto treinador dialético. Através de um trabalho discreto mas persistente, ajudou a moldar alguns dos sotaques mais conhecidos na história do cinema. Faleceu esta terça-feira, dia 31 de março.

A sua carreira começou na produção de um dos grandes clássicos filmes de Steven Spielberg: Indiana Jones e a Grande Cruzada (1989). Na produção, ajudou a criar um sotaque alemão e americano e trabalhou até com Harrison Ford numa cena onde o ator imita o sotaque escocês de Sean Connery.

Andrew Jack em Star Wars: O Último Jedi

A partir daí, Andrew Jack nunca mais parou. Com 30 anos de carreira e contribuições em mais de 80 filmes no cartório, com a exceção de 1990 e 2020, todos os anos esculpia sotaques para novos filmes. Ficou conhecido como o homem que ensinou élfico a Elijah Wood para Senhor dos Anéis (2001-2003), entre outros notáveis contributos.

Numa entrevista a Thierry Sommers, Andrew Jack demonstrou ser discreto e pouco intrusivo, escolhendo momentos adequados para falar com os atores e reduzindo a pressão posta neles. Para além disso, refletiram-se características de um verdadeiro comunicador, por adaptar o seu discurso às especificidades das pessoas com quem trabalhava e por se preocupar com o aspeto humanístico da representação de sotaques e da forma como moldavam as personagens.

O agente do britânico, Jim McCullough, descreve-o como alguém “ferozmente independente” e “loucamente apaixonado pela mulher”, Gabrielle Rogers. A última é atualmente a mais procurada treinadora de voz e dialeto da Austrália.

O ator conhecido como “treinador de dialeto das estrelas” deixou o seu brilhante legado para trás esta terça-feira, dia 31 de Março, vítima de Covid-19. Partiu para uma jornada, acompanhado agora por um tipo diferente de estrelas.