A obra publicada em junho apresenta-se como “A história que nunca foi contada” e revela-se vigorosa. Num misto de comparações, interrogações, análises e possíveis respostas, José António Saraiva oferece ao leitor a história do “Rei” do Estado Novo.

O livro é o primeiro de três volumes que tratam as diferentes etapas da vida de Salazar. Este foca-se essencialmente na queda do presidente do Conselho, na sua chegada ao poder e na sucessão de Salazar por Marcello Caetano. Contudo, aquilo que governa o livro é todo um mistério à volta de um trambolhão. Aparentemente, o chefe do regime caiu de uma cadeira de lona e, por causa disto, acabou por ausentar-se do poder. Aquilo que não é tão aparente é que a cadeira não existiu e, mesmo assim, Salazar teve de se afastar das suas funções.

Salazar – A Queda de uma Cadeira que Não Existia é das obras que intitulamos de biografia, mas que depois nos deixa com um pé atrás perante esta nomeação. Parece sim uma história de um homem, no entanto, a forma de como esta é expressa e descrita fá-la parecer um conto. Nos primeiros capítulos, ousamos reivindicar um mistério, a meio, afigura-se o jogo da batalha naval e, no fim, temos o toque do romance.

Salazar - A Queda de uma Cadeira que Não Existia

DR

Escrever sobre Salazar parece-me uma tarefa difícil, mas escrever sobre este usando sarcasmo, ironia e até pontas de humor parece-me ainda mais desafiante. José António Saraiva assentou o livro numa investigação afincada e em inúmeras referências. Isto talvez tenha dado mais liberdade ao autor para brincar ligeiramente com a verdade e acrescentar um toque único da sua visão pessoal sobre os acontecimentos.

A narração dos factos é direta e franca, muito reveladora e deveras explicativa. Não há margem para incompreensões. O escritor não se afasta da repetição e parece ter como obrigação fazer o leitor compreender na integra a verdade e a linearidade dos acontecimentos.

António de Oliveira Salazar é exposto a nu, rebaixado, elevado, glorificado e estudado. Ouso dizer que até foi compreendido. O autor exibiu de tal forma o líder do Estado Novo que as palavras escritas se assemelham a possíveis pensamentos e raciocínios deste. É como se o leitor fosse um espectador presente e oportuno das ações e do ser da personagem principal. Vemo-lo como não sabíamos que o podíamos ver: Salazar antigo chefe e dirigente de um país e nação, mas homem simples, fraco e campónio.

Salazar – A Queda de uma Cadeira que Não Existia elucida mais do que tudo. A obra presenteia-nos com um retrato vívido da vida do homem que outrora governou e quebrou o país.