NO AR. É assim que se inicia a aventura que se prolonga ao longo de 175 páginas. Apesar de NO AR – 100 Histórias da Rádio nos ser trazido por Marcos Pinto, entramos na cabine com as “grandes vozes da rádio em Portugal.” Por entre as mais fascinantes peripécias, lições ficam.
Marcos Pinto nasceu em 1979 na Alemanha. Licenciado em Comunicação Social, começou por trabalhar no Tal e Qual. Em 2006 entrou na Media Capital Rádios, editando notícias na Rádio Comercial e no Rádio Clube Português. Entre muitas outras aventuras, é hoje pivô da TVI24. De qualquer forma, foi a rádio que o afastou do jogo da bola, que poderá ter levado à criação de algumas inimizades e que preencheu os seus dias, “horas a fio.”
Dirigindo-se à rádio na primeira pessoa, quase numa carta de amor aberta, explica: “Sempre soube que era contigo que eu queria estar”. Já em 2007, o autor afirmou achar estar na altura de homenagear a rádio, acreditando que “a descoberta das [suas] histórias é a melhor forma de explicar aos leitores a [sua] magia e importância”. Sendo assim, ao longo do livro, somos presentados com as aventuras de Artur Agostinho, Júlio Isidro, Carlos Cruz e António Sala, entre muitos outros, para que se possa perfazer os 20 nomes desta lista.
Para os já assustados com a falta de conhecimento sobre tais profissionais, não há que temer. Ao longo de NO AR – 100 Histórias da Rádio, as histórias encontram-se segmentadas e cada um desses segmentos faz-se acompanhar de uma reduzida biografia e uma fotografia dos mesmos. Começamos então com um guião radiofónico. Para os mais atentos ou desatentos, fica um pequeno sentimento de traição e de surpresa: “os diálogos que acaba de ler são totalmente ficcionados. Mas o autor acredita na veracidade das respostas”.
Iniciam-se assim as apresentações, com Adelino Gomes. Por entre sorrisos e momentos de aflição alheia, conhecemos aquelas que para ele são algumas das lições da rádio. Apesar de, ao longo da obra, estes ensinamentos não estarem explicitamente indicados, a verdade é que NO AR – 100 Histórias da Rádio poderia ser visto como o elencar do funcionamento real e subjetivo do mundo radiofónico.
Algumas das transmitidas por Adelino Gomes são: “a necessidade e a conveniência de ser natural” e a importância da “concentração naquilo que o entrevistado nos diz”. Sem querer tirar o mérito do conselho, aponto a necessidade quotidiana desta medida. “Não basta ter a informação, é preciso reutilizá-la” é mais uma lição que não me parece de todo descabida no dia-a-dia. Numa das lições mais importante, de acordo com a minha possível subjetividade, Adelino Gomes diz que “a reportagem é olhar, é ouvir, pôr o microfone onde as coisas se passam, dizer as palavras sem pensar nelas”. Mais do que isso “não basta ser um bom jornalista, é preciso ter sorte”.
NO AR – 100 Histórias da Rádio conta-nos, por exemplo, sobre uma entrevista a “uma pessoa que não era e depois passou a ser”, um direto num submarino e uma “invasão de pirilampos” em Portugal. Termino, tal como no livro: JINGLE.
Título Original: NO AR – 100 Histórias da Rádio
Autora: Marcos Pinto
Editora: Prime Books
Género: Literatura nacional
Data de Lançamento: novembro 2007



