Orgulho e Preconceito foi lançado a 16 de setembro de 2005 no Reino Unido. A longa-metragem foi a segunda versão cinematográfica do livro depois da famosa adaptação a preto e branco de 1940.

O enredo baseia-se numa família, Mr. e Mrs. Bennet e as suas cinco filhas solteiras. Mrs.Bennet está ansiosa por lhes encontrar um marido (de preferência rico). Quando Mr. Bingley e Mr. Darcy (homens que encaixam no perfil esperado) chegam à cidade para viver ali perto, a família tem esperança de arranjar o matrimónio, principalmente para Lizzie. No entanto, o orgulho, o preconceito e mal-entendidos dificultaram a relação entre todos.

No livro original de Jane Austen, a personagem do Mr.Darcy tem uma mudança constante e gradual de emoção. Tal, não acontece nesta longa-metragem, o que deixa muito a desejar.

No início, Matthew Macfadyen interpreta um Mr.Darcy orgulhoso e socialmente estranho. Dá-nos a perceção de que estava tão dentro da sua própria bolha pessoal que não tinha reparado sequer na Lizzie. No desenrolar o filme, vemos uma personagem mais aberta e vulnerável, mas sempre escondido por de trás dos seus modos rígidos.

Porém, isto contradiz aquilo que é esperado pelo espectador, porque tanto no livro como no filme, vemos um Mr.Darcy mais emocional, aberto e expressivo. Apenas em algumas cenas, é que captamos as suas tentativas incoerentes de conversa fiada e é aqui que percebemos a complexidade de um homem treinado desde a infância para não expressar seus sentimentos. E percebemos, ainda, que este torna-se vulnerável, pela primeira vez, ao sentir e expor as emoções conflituosas que Lizzie despertou nele.

O retrato de Knightley é bastante fiel ao original. A atriz ilustra a inteligência viva, a perspicácia perspicaz e o humor irônico de Elizabeth Bennet. Nota-se perfeitamente que Lizzie que está magneticamente atraída pela aparente arrogância, reticência e comportamento galante, finalmente revelados, do Mr. Darcy através da sua excelente interpretação.

O filme é divido entre duas personagens (Lizzie e Mr.Darcy), porque ambos os atores, muito bem escolhidos, brilharam imenso individualmente no seu papel. As suas personalidades e carácter foram muito bem construídos e conseguidos ao longo da longa-metragem. No entanto, juntas não havia conexão, apenas se sentiu uma densidade psicológica entre Mr.Darcy e Elizabeth Bennet . Parecia que havia uma barreira que não deixava conectarem-se e, ao contrário da naturalidade que se espera, a relação apresentava-se muito encenada. A única cena em que a ligação entre ambos foi percebida ocorreu quando ambos dançaram em Netherfield, um momento-chave enquanto lutam com palavras.

O ambiente rural captado por imagens amplas de campos suaves e enevoados, bosques e estradas sinuosas desempenha um papel importante na história. Foi com estes cenários que conseguiram criar um ambiente que ressalta as maneiras gentis e os corações apaixonados. Os sons que englobam o enredo realçam, também, os dramas da natureza humana.

A duração do filme foi um obstáculo para captar a essência da história. Embora o enredo tenha duas horas e nove minutos, algumas cenas principais foram apressadas apenas para passar pela narrativa. Assim, infelizmente não conseguimos realmente saber e sentir muito por cada uma das personagens. O guarda-roupa, a linguagem e a música não foram os mais adequados e atropelou aquilo que se já se conhecia e esperava do livro de Jane Austen.

No geral, Orgulho e Preconceito foi um filme difícil de assistir e um pouco maçador. Além disso, desiludiu em bastantes aspetos, mas trouxe ao de cima o que de melhor tinham os atores da obra cinematográfica.